Pressionados, os aliados pedem apoio à oposição
PUBLICAÇÃO
domingo, 06 de abril de 1997
Agência Estado 
Pressionados por uma bancada dispersa e exigente de deputados aposentados, os líderes dos partidos aliados ao governo poderão procurar na oposição, nesta semana, o apoio de que precisam para manter na emenda constitucional da reforma administrativa o teto de R$ 10.800,00 para os vencimentos do setor público.
O novo líder do PSDB na Câmara, Aécio Neves (MG), tomou a iniciativa. Ele sugeriu que o bloco de oposição - composto por PT, PDT e PC do B - vote a favor do substitutivo do deputado Moreira Franco (PMDB-RJ), relator da reforma, para que os partidos aliados ao governo possam abrir mão dos votos dos deputados aposentados. Em troca, o bloco teria mais boa vontade do PSDB na discussão dos destaques que venha a apresentar à proposta.
Se a oposição não nos ajudar, vamos ser obrigados a fazer concessões, antecipou Neves, referindo-se à emenda aglutinativa assinada pelos líderes aliados que permite aos parlamentares já aposentados acrescentar o valor de uma aposentadoria ao teto que vai vigorar para os demais servidores públicos. Caso o bloco nos apóie, o clima ficará mais positivo para o entendimento, garantiu.
O líder do bloco de oposição, José Machado (PT-SP), acolheu o aceno com simpatia, mas adiantou que a possibilidade de um entendimento dependerá da amplitude das negociações. Entre os temas que ele pretende colocar sobre a mesa encontram-se a obrigatoriedade dos concursos públicos para a contratação de servidores e a definição de regras mais claras para a flexibilização da estabilidade dos servidores.
Não queremos reduzir a discussão à questão do teto salarial, adiantou Machado, recordando que o PT não discorda desse ponto e até sugere a adoção de um limite de vencimentos _ equivalente a R$ 8.500,00 - inferior ao previsto no substitutivo de Moreira. Se a agenda for mais ampla, topamos discutir o tema com o governo, até porque nós não defendemos esse estado que está aí.
Os líderes aliados têm uma reunião prevista para amanhã, durante a qual serão analisadas possíveis mudanças de última hora no texto que será colocado em votação no plenário poucas horas depois. Depois do fracasso da última tentativa de votar a reforma, na quarta-feira passada, o comando governista pretende montar uma ampla mobilização para levar seus deputados ao plenário, e pode não considerar oportuna uma abertura de diálogo com a oposição em torno de novas alterações ao substitutivo.
Querer reabrir as discussões sobre outros temas é complicado, porque a questão central é a do teto, desconversou Aécio Neves. Embora preveja a possibilidade de criação de um clima de entendimento com o bloco, se este resolver apoiar o substitutivo, o líder do PSDB alega que não pode assumir compromissos sobre pontos específicos de alterações no texto, e procura colocar nas mãos da oposição o futuro do teto do setor público. Eles poderão ser responsabilizados amanhã, mesmo que por omissão, pela eventual criação de um extrateto para os aposentados, advertiu.


