A Assembléia Legislativa de Alagoas autorizou ontem o afastamento do governador Divaldo Suruagy (PMDB) do cargo por seis meses. O decreto legislativo nº 28/97, determinando o afastamento, foi redigido às pressas, logo após o pedido de licença por tempo indeterminado feito por Suruagy. O governador justificou que tomava a decisão para ‘‘evitar traumas à sociedade alagoana’’. O vice-governador Manoel Gomes de Barros (PTB) assumiu seu lugar.
A oposição conseguiu que o plenário transformasse o pedido de licença por tempo indeterminado em afastamento por seis meses. Além disso, convenceu a comissão especial que analisou os pedidos de impeachment do governador (e que os havia rejeitado) a acolher novos documentos, incluindo o relatório final da CPI do Senado que investigou o escândalo dos precatórios. O relator da comissão, deputado Francisco Carvalho (PSDB), disse que com base nesses documentos pode mudar seu parecer e aceitar as denúncias-crime contra Suruagy e o vice.
Para a deputada Heloísa Helena (PT), o afastamento foi uma vitória do povo, que foi às ruas enfrentar o Exército para exigir a saída de Suruagy. ‘‘Se o relatório da comissão fosse aprovado, o governador permaneceria no cargo para responder pelo crime de responsabilidade, como aconteceu com o governador Paulo Afonso, de Santa Catarina, portanto o afastamento por seis meses foi o que conseguimos de melhor’’, afirmou a deputada, acrescentando que vai continuar acompanhando os trabalhos da comissão até votação do impeachment.
O líder do governo na Assembléia, deputado Washington Luiz (PTB), disse que o governador atendeu ao pedido feito pela bancada governista, durante uma reunião segunda-feira à noite no Palácio dos Martírios. ‘‘Durante essa reunião, nós pedimos que o governador se licenciasse’’, contou Luiz. ‘‘Ele pediu para esperar mais uma semana, mas como a pressão popular foi grande, o governador achou por bem antecipar essa decisão.
O vice-governador Manoel Gomes de Barros disse que vai tentar um empréstimo de R$ 200 milhões junto ao governo federal para atualizar os salários do funcionalismo estadual. Para conseguir esse empréstimo, o governo dará como garantia os ativos de empresas estatais que estão em processo de privatização, como a Companhia Energética de Alagoas (CEAL) e a Companhia de Saneamento e Abastecimento de Água de Alagoas (CASAL). ‘‘Esperamos que esse empréstimo, através do BNDS, seja liberado o mais rápido possível’’, afirmou Gomes de Barros.
Segundo ele, todo dinheiro que vem sendo negociado em Brasília pelos secretários da Fazenda, coronel Roberto Longo, e da administração, Luciano Barbosa, será usado para o pagamento de salários atrasados, que somados ultrapassam R$ 250 milhões. O empréstimo poderá ser liberado também em parcelas: primeiro viriam 40% do valor das folhas atrasadas, depois os 60% seriam liberados em 18 parcelas, até o fim do atual governo. A novidade é que o dinheiro chega ‘‘carimbado’’, ou seja, vai direto para a conta dos servidores.

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