Pressionado por escândalo, Bonilha renuncia ao mandato
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quinta-feira, 20 de março de 2008
Fábio Cavazotti<br>Reportagem Local 
O vereador afastado Orlando Bonilha (PR) renunciou ontem ao seu mandato após resistir por quase dois meses à bateria de acusações de irregularidades iniciada em janeiro com a prisão em flagrante do ex-vereador Henrique Barros - que também abriu mão de seu mandato. A carta de renúncia foi entregue ao presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB) às cinco da tarde, pelo assessor de Bonilha e ex-secretário municipal de Planejamento, Sérgio Plínio. Em seguida, o documento foi lido em plenário e Bonilha foi declarado oficialmente ex-vereador. A renúncia aconteceu poucas horas depois da suplente Vera Rubbo (PSB) assumir sua vaga - já que Bonilha foi afastado judicialmente do cargo no último dia 7. O ex-vereador responde a processos civeis e criminais sob acusação de ter exigido dinheiro de empresários para aprovar leis municipais e obrigado asssessores em cargos de confiança a lhe repassar parte de seus salários.
O vereador Tercílio Turini, que é presidente da Comissão Processante (CP) que investiga se Bonilha participou de um esquema de irregularidades do qual fariam parte o ex-vereador Henrique Barros, e os vereadores afastados Renato Araújo (PP), Flávio Vedoato (PSC) e Osvaldo Bergamin (PMDB), afirmou após a renúncia que, a princípio, a investigação prossegue normalmente. O prazo para que Bonilha renunciasse sem perda dos direitos políticos terminou quando a CP foi aberta.
Assim, caso seja condenado pela Comissão e pelo plenário da Câmara, o ex-vereador poderá ficar até oito anos sem poder disputar eleições. Em tese, porém, se não for condenado, a renúncia garante o direito de se candidatar este ano - possibilidade que ele mesmo negou em entrevista coletiva que antecedeu sua prisão, na último dia 6. O advogado Ronaldo Neves, defensor de Bonilha, apresentou na quarta-feira pedido de suspensão da CP, alegando que ele não poderia responder ao processo enquanto perdurasse o afastamento judicial.
''Nós vamos nos reunir segunda-feira para analisar a defesa de Bonilha e o pedido de suspensão da Comissão Processante'', afirmou Turini. ''Vamos ouvir a avaliação da procuradoria jurídica e daí definir como as coisas serão conduzidas. Na minha avaliação o processo vai continuar.''
O presidente da Câmara, Sidney de Souza (PTB), disse que, com a renúncia, qualquer representação contra Bonilha por quebra de decoro parlamentar será arquivada - o que alcança as duas representações que já estão na Câmara. ''O que muda é que o vereador não tem mais mandato e toda denúncia a partir de agora não tem nexo de causalidade, ou seja, não estaremos recepcionando nenhuma outra denúncia contra o ex-vereador Orlando Bonilha.''
Carona
O assessor de Bonilha, Sérgio Plínio, permaneceu na Câmara após a renúncia, mas não quis dar entrevista. Ele chegou às 15h30 com a carta do ex-vereador e aguardou o término de uma sessão secreta, às 17h, para fazer o protocolo. Plínio foi levado à Câmara pelo próprio Bonilha - mas o ex-vereador sequer desceu do carro.


