Pressionado por denúncias de corrupção, Rondeau se demite
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 22 de maio de 2007
João Domingos e Christiane Samarco<BR>Agência Estado 
Brasília - Três dias depois de ser apontado pela Polícia Federal como suspeito de haver recebido, dentro do próprio ministério, R$ 100 mil de propina da Construtora Gautama, o ministro Silas Rondeau, das Minas e Energia, entregou hoje (22), por volta das 20h15, a carta de demissão ao presidente Lula. Na carta em que Rondeau pediu demissão, o ex-ministro diz que deixou o cargo para se defender e que ficará à disposição do presidente.
Ele foi pressionado pelo senador José Sarney (PMDB-AP) a se afastar, visto que não teria como se defender ocupando o cargo. Sarney é seu principal padrinho político. Ao saber que o PT está de olho no Ministério de Minas e Energia, Sarney apresentou como candidatos à sucessão de Rondeau os nomes de José Antonio Muniz, ex-presidente da Eletronorte, hoje na iniciativa privada, e de Astrogildo Quental, atual diretor Econômico e Financeiro da empresa.
Rondeau reuniu-se ontem com o presidente Lula, das 15h50 às 17hs, mas o encontro não foi conclusivo. Lula avisou-o de que pretendia continuar as conversas mais tarde. O primeiro encontro foi interrompido para que o presidente se reunisse com o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias.
Rondeau disse a Sarney que acha a situação absurda, visto que a PF está usando contra ele material que o próprio repassou à corporação, a pedido desta. O assessor Ivo Costa, que recebeu Fátima na entrada privativa do ministro, foi preso pela Operação Navalha, da PF, que desbaratou um esquema acusado de desvio de dinheiro público e de fraudes em licitações públicas. O assessor especial depôs hoje no Superior Tribunal de Justiça (STJ) - foi solto ao final do depoimento.
Em nota divulgada ontem, Rondeau diz que sai do ministério para impedir que o setor energético seja prejudicado. Ele afirma que quer evitar que a imagem do governo seja de algum modo afetada.
Rondeau reafirma na nota sua inocência nas denúncias que vinculam seu nome à corrupção em licitações públicas. ''Reafirmo minha completa e absoluta inocência em relação às denúncias levantadas contra minha pessoa na certeza de que tudo será esclarecido.''


