Pressionado pelo PT, Cunha renuncia ao mandato
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sábado, 08 de fevereiro de 2014
Das Agências 
Brasília - Último dos quatro parlamentares presos pelos crimes do mensalão, João Paulo Cunha (PT-SP) renunciou na noite de ontem ao mandato de deputado federal.
A carta foi entregue na Secretaria-Geral da Câmara e distribuída pela liderança do PT. No texto com duas frases e uma citação poética, o petista diz que deixa a Câmara "com a consciência do dever cumprido".
Cunha tentava manter o mandato, mas era pressionado dentro do próprio PT a renunciar.
O petista foi considerado culpado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por ter recebido propina para beneficiar empresas do operador do mensalão, Marcos Valério Fernandes de Souza. Ele alega ser inocente das acusações.
Cunha foi preso no último dia 4 por sua condenação no processo do mensalão. Antes de se entregar no presídio da Papuda, em Brasília, ele divulgou uma carta com ataques ao STF, especialmente ao presidente da Corte, Joaquim Barbosa.
Presidente da Câmara entre 2003 e 2004, o deputado foi condenado definitivamente a 6 anos e 4 meses de prisão por peculato e corrupção por irregularidades no contrato da Casa com a agência de publicidade SMP&B, de Marcos Valério, preso desde novembro, e pelo recebimento de R$ 50 mil que teria como objetivo beneficiar a empresa na licitação. Ele ainda foi condenado a mais 3 anos de prisão por lavagem de dinheiro por ter usado sua mulher para sacar os recursos no Banco Rural, mas terá direito a uma nova análise desta sentença por meio de embargo infringente.
O deputado começará a cumprir pena no regime semiaberto. O trânsito em julgado das condenações foi decretado por Joaquim Barbosa em 6 de janeiro, no seu último dia de trabalho antes das férias. Os ministros Ricardo Lewandowski e Cármen Lúcia, porém, não assinaram o mandado de prisão durante o recesso do Judiciário, o que motivou críticas de Barbosa. Relator do processo, o presidente do STF determinou somente no último dia 4 a expedição do mandado.


