Pressionado, Lula fecha acordo com partidos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 12 de junho de 2003
Agência Folha 
Brasília - Pressionado pelos partidos que compõem a base de sustentação do Palácio do Planalto no Congresso, a liderança do governo na Câmara dos Deputados fechou ontem um acordo para anular a avaliação de que o PT seria supervalorizado na tramitação da reforma da Previdência: agora, qualquer emenda ao texto que contar com a simpatia do governo será assumida e elaborada por todos os dez partidos da base aliada.
A decisão é uma decorrência da avaliação de que seria dada ao PT a exclusividade de apresentar as propostas de alteração à reforma que possam contar com o aval do Planalto, ou seja, as com maior chance de êxito. PMDB, PTB e PPS, entre outros, ameaçaram se rebelar.
''O padrinho das modificações tem que ser a base do governo, não o partido A ou o B. Fizemos um acordo para que ninguém seja dono isolado de alguma mudança que o governo possa encampar, ninguém vai ser dono da verdade'', afirmou o deputado Eunício Oliveira (CE), líder da bancada peemedebista na Casa.
O acordo aconteceu em reunião realizada ontem entre o deputado Aldo Rebelo (PC do B-SP), líder do governo na Câmara, e os demais líderes dos partidos da base aliada. Aldo negou a existência de reclamações contra o PT, mas afirmou ter ficado decidido que ''a base do governo vai buscar uma posição comum em todos os pontos que sejam discutidos na comissão (que analisa a reforma)''.
Apesar da negativa do líder do governo, vários dos demais presentes à reunião, além de Eunício, confirmaram que a insatisfação com o suposto beneficiamento do PT foi tema central da reunião. Entre esses, estava o líder da bancada petista, Nelson Pellegrino (BA), que procurou afastar a possibilidade de tratamento diferenciado.
''Se houver uma concessão do governo, tem que ser via base. O PT nunca se arrogou ser dono de emenda ou da reforma'', afirmou.
O fato é que líderes dos nove partidos governistas tem feito avaliações de que estão defendendo uma proposta que é impopular para importantes segmentos da sociedade. Seria tremendamente injusto, na avaliação deles, que na hora de aprovar modificações que, em tese, representariam uma alívio no desgaste, o PT fosse o único a ser agraciado.


