Curitiba O diretor de Coordenação da Itaipu Binacional, Nelton Friedrich, vai esperar até a última hora para anunciar se permanece ou não no PDT. Por determinação do presidente nacional da sigla, Leonel Brizola, todos os ocupantes de cargos de confiança no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) devem deixar seus postos até o dia 31 de janeiro ou serão expulsos do partido. Ontem, Friedrich afirmou que só irá se posicionar sobre a questão no final desta semana.
A permanência de Friedrich em Itaipu e sua desfiliação do PDT, porém, são praticamente certas. Ontem mesmo o diretor participou de uma reunião com sua equipe de trabalho para definir as metas para a área de Coordenação da estatal para 2004.
Friedrich garante, porém, que o motivo que o levou a não acatar a diretriz de Brizola é ideológico, e não simples apego ao cargo. ''O cargo para mim é o que menos importa. O que eu discordo é a decisão de levar o PDT para a oposição a Lula, que faz um governo cujas posições são coerentes e sempre foram defendidas por mim em minha vida pública'', esclarece. Como diretor de Itaipu, ele recebe cerca de R$ 15 mil líquidos por mês.
O rompimento do PDT com Lula não agrada a grande parte do PDT, principalmente o estadual. O presidente da sigla no Estado, senador Osmar Dias, questionou a decisão de Brizola, classificando-a como precipitada. O enfraquecimento do PDT é ruim para o projeto político de Osmar de eleger-se governador em 2006. Cerca de 20 diretórios municipais do PDT na região oeste, onde Friedrich tem sua base eleitoral, fizeram ontem um abaixo-assinado para mostrar apoio ao diretor e sensibilizar Brizola.
Caso Brizola mantenha-se irredutível, a solução mais provável para o impasse é a filiação do diretor ao PT. Uma simples desfiliação do PDT não seria suficiente para impedir a cobiça de integrantes de outros partidos, que têm interesse em assumir a direção da estatal. Por se tratarem de cargos de confiança, os postos no alto escalão da Itaipu geralmente são preenchidos seguindo critérios não somente técnicos, mas também políticos. Uma filiação ao PT tornaria o vínculo de Friedrich ao cargo mais estável.

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