O procurador-geral do Estado, Joel Coimbra, pediu desculpas ontem pelo comportamento agressivo que teve contra um professor, anteontem, nos bastidores de uma emissora de TV, em Maringá. ‘‘Com muita humildade, peço desculpas ao povo do Paraná por esse episódio’’, disse Coimbra, que foi pressionado pelo governo do Estado a se manifestar. Ele reiteirou que reagiu a uma atitude que classificou de covarde e oportunista. O procurador deu um tapa no rosto do professor Paulo Mathias ao final de um debate na TV Cidade, canal a cabo de Maringá.
O governo está tentando classificar o incidente como uma atitude isolada e pessoal. Na avaliação dos assessores do governador Jaime Lerner (PFL), a reação do procurador não tem nenhuma relação com a ‘instituição’ governo. Coimbra teria reagido a uma agressão. ‘‘Foi uma reação intempestiva do procurador, que perdeu o controle diante de acusações’’, disse um assessor.
Na sexta-feira, Coimbra negou à reportagem da Folha que tivesse agredido o professor. ‘‘Vi ele caindo da cadeira, mas não sei o que aconteceu’’, havia declarado. Ontem, porém, o Palácio Iguaçu já reconhecia que a agressão existiu, mas que na verdade o procurador teria apenas reagido a um comportamento truculento do professor.
Coimbra fez questão de deixar claro que não está pedindo desculpas ao professor. ‘‘Repudio a violência do professor’’, disse. Assumindo o mesmo discurso dos assessores do Palácio Iguaçu, o procurador também tentou desvincular a imagem de Lerner do episódio. ‘‘Não tem nada a ver com o governo, mas sim com a pessoa do Joel Coimbra.’’
No início da manhã de ontem o chefe da Casa Civil, Alceni Guerra, que cuida da imagem política do governador, chegou a recomendar ao procurador que saísse do foco das atenções sobre o caso. No entanto, ao longo da manhã, a cúpula do Palácio Iguaçu parece que resolveu mudar de idéia e exigiu que o procurador se pronunciasse. Lerner deve falar sobre o assunto somente depois da apuração dos fatos, com a conclusão do inquérito policial.
Para o governo, o fato também tem ligação com o processo aberto pela procuradoria para apurar responsabilidades pela greve realizada na Universidade Estadual de Maringá (UEM) no ano passado. O professor Mathias é um dos acusados no processo disciplinar e por isso teria provocado as discussões que terminaram com as agressões.
Na avalição do procurador, foi tudo uma armação para esconder o ‘‘procedimento irresponsável’’ do professor ao tentar boicotar o vestibular da UEM no ano passado. Mathias teria lacrado com solda a porta da universidade dias antes da realização do vestibular.
Coimbra foi promotor de Justiça. Entre 1994 e 98 cumpriu mandato como deputado estadual pelo PDT. Em 1996 tentou ser prefeito de Maringá, mas acabou sendo derrotado por Jairo Gianoto (sem partido). Em 98, agora pelo PTB, ele ainda tentou a reeleição para a Assembléia Legislativa, onde mais uma vez não obteve êxito.
Depois de encerrar seu mandato e sofrer duas derrotas nas urnas, Coimbra ficou alguns meses afastado do cenário político. Foi no segundo mandato do governador, em 99, que ele conseguiu voltar ao centro das discussões, desta vez como procurador-geral do Estado.

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