Curitiba - Com o volume de documentos e provas apreendidos durante a operação Lava Jato, além das delações do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e do doleiro Alberto Youssef, algumas empreiteiras e prestadoras de serviços citadas no processo que apura desvio de recursos da estatal petrolífera, estão pressionadas e começaram a procurar o Ministério Público Federal (MPF) na tentativa de fechar um acordo de leniência (uma espécie de delação premiada para empresas envolvidas em crimes).
Muitas inclusive já enviaram emissários ou advogados a Curitiba, onde a força-tarefa do MPF concentra seus trabalhos, na tentativa de fechar uma proposta. Entretanto, para que as negociações avancem, as empreiteiras têm que concordar em entregar todos os fatos passados que são ilícitos, ou seja, não somente o caso envolvendo a Petrobras, mas outros que possam ter sido cometidos; ter que se comprometer a não agir da mesma forma; além de pagar uma multa milionária.
Conforme informações levantadas durante as diligências da Lava Jato, não há a ilusão, entre os investigadores, de que as fraudes envolvem somente contratos com a Petrobras. Ou seja, para que algumas delas consigam fechar um acordo seria necessário abrir o leque e falar em irregularidades envolvendo outras obras, como por exemplo a construção de ferrovias, rodovias e hidrelétricas. Em seus interrogatórios na Justiça, tanto Costa quanto Youssef reforçaram a existência de um "cartel" formado por grandes empreiteiras. "As empresas se reuniam e decidiam quem iria vencer determinada licitação para realizar não somente obras da Petrobras, mas outros projetos do País todo", afirmou Costa em um trecho de seu depoimento.
"Já ouvimos algumas vezes tentativas de limitação de danos, mas nestes casos os mandamos embora. É para ter disposição em falar a realidade, se alguém se dispuser a falar em fraudes envolvendo outros órgãos (além da Petrobras), estamos atentos a ouvir. Não vamos chancelar versões inventadas em escritórios de algum grande advogado", ressaltou o procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, em entrevista à FOLHA.
Segundo o MPF, normalmente o acordo de leniência é extremamento duro, mas garante a sobrevivência da empresa que normalmente colabora. Desta maneira ela não corre o risco de ser declarada inidônea ou de ser proibida de contratar com entes públicos numa provável condenação da Justiça.

Cade
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) abriu uma investigação para apurar o cartel de empreiteiras citadas nas investigações da Lava Jato. Para auxiliar neste trabalho, o órgão solicitou junto à 13ª Vara Federal Criminal, em Curitiba, acesso a todos os documentos sobre desvios ocorridos na Petrobras.

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