São João do Ivaí - A mobilização popular em São João do Ivaí (Norte) evitou um aumento superior a 90% nos salários dos nove vereadores da cidade. A lei elevando os salários de R$ 2,7 mil para R$ 5 mil, que já havia sido publicada no Diário Oficial do Município no início do mês, foi revogada na sessão legislativa de segunda-feira à noite, ''com a Casa cheia'', conforme disse à FOLHA a enfermeira e servidora municipal Walquíria Diniz. Depois da revogação, o novo texto seguiu ontem para a sanção do prefeito Clóvis Bermini Júnior (PMDB).
Segundo Walquíria, a decisão dos parlamentares, ''tomada sem o conhecimento da população, numa votação que não foi aberta, causou revolta'', especialmente porque, conforme ela afirmou, os servidores da prefeitura estão sem aumento salarial há 15 anos. ''Entendemos que o correto é que tenham a reposição da inflação, como todos.''
Embora esteja entre os oito vereadores que votaram pela derrubada do aumento - um parlamentar não compareceu -, reestabelecendo o vencimento de R$ 2,7 mil, o presidente da Câmara, Adeilde Alves de Souza (PMDB), voltou a defender o aumento. Ele reconheceu que a medida tomada pela Câmara ''pode até ser imoral, mas não é ilegal''. Souza argumentou que o aumento atendia aos limites dos cofres municipais.
O presidente da Câmara negou que a sessão onde os vereadores elevaram os próprios salários tenha sido ''às escondidas''. ''Houve uma sessão extraordinária, mas a Câmara sempre foi aberta à comunidade.'' Ele está entre os seis vereadores que não conseguiram a reeleição. Questionado se a repercussão sobre o projeto dos salários prejudicou a campanha, lamentou: ''Prejudicou muito.''

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