Leandro Donatti
De Curitiba
A secretária-executiva do Ministério do Esporte e Turismo, Teresa Castro, foi demitida no fim de semana. O afastamento da pessoa mais poderosa no ministério depois do ministro Rafael Greca foi negociado numa reunião entre os dois em Brasília, na semana passada. A queda de Teresa acontece depois de quase seis meses de fritura e teria sido fruto de pressão política comandada pelo presidente nacional do PFL, senador Jorge Bornhausen, com o objetivo de tentar segurar Greca mais algum tempo no cargo. A fiel-escudeira do ministro é investigada pelo Ministério Público Federal, sob suspeita de cometer irregularidades.
Assessora direta de Greca há oito anos, Teresa não aceitou rebaixamento. O ministro lhe tirou a secretaria-executiva e ofereceu-lhe em troca a Chefia de Gabinete. ‘‘Torrei o saco. Chega. Cansei. Foram seis meses de brincadeira’’, disse Teresa, ressentida com a ação dos procuradores de Brasília que chegaram a solicitar em juízo a quebra de seus sigilos bancário e telefônico. ‘‘Quando assumi (em janeiro de 1999), foi para exercer função burocrática, de reformular o ministério. Já terminei isso. Quero voltar a ser jornalista’’, emendou. Teresa Castro é jornalista concursada do IPPUC, o instituto municipal que cuida do planejamento urbano de Curitiba.
A saída de Teresa sai publicada em Diário Oficial nesta semana. A secretária executiva será substituída por um técnico da Ministério da Fazenda, cuja confirmação do nome pode sair ainda hoje. Teresa deixa o Ministério criticando o ex-presidente do Instituto Nacional do Desporte (Indesp) Manoel Tubino. ‘‘Me acusam de ter pressionado este cara a assinar uma portaria (a que trata, dentre outras coisas, das máquinas caça-níqueis). Ele não era meu subalterno. Tudo tem a assinatura deste senhor. Eu não teria como pressioná-lo. Assinar sem ler é coisa de débil mental’’, disparou.
Teresa Castro não quis falar sobre a suposta pressão exercida pelo PFL para derrubá-la. ‘‘Por que você não pergunta isso ao ministro?’’, devolveu quando questionada se houve ou não motivação política para a sua saída. Greca passou o dia em Curitiba, ontem. Oficialmente, o discurso que sua assessoria tenta passar é de que a saída de Teresa foi muito pacífica, sem traumas. E que a mexida vinha sendo preparada há meses. A assessoria do ministro não soube informar se as mudanças vão se estender para outros cargos, além do exercido por Teresa.

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