Pressões políticas vindas do Palácio do Planalto forçaram ontem a saída do presidente do Banco do Brasil, Paolo Zaghen. Homem de confiança do ministro da Fazenda, Pedro Malan, Zaghen era considerado inábil no tratamento de questões envolvendo interesses políticos do próprio governo e não teria jogo de cintura suficiente para atender a demandas de aliadaos governistas. O substituto de Zaghen será Eduardo Augusto Guimarães, ex-secretário do Tesouro Nacional e ex-presidente do Banespa, também amigo pessoal de Malan.
‘‘No Banco do Brasil a gente já sabe antes de pedir que a resposta é não’’, reclamou um operador político do presidente mais de uma vez. A alegada inabilidade política juntou-se a problemas internos do BB para agravar a situação de Zaghen. O diretor de Finanças do banco, Vicente Diniz, nomeado por Zaghen, trombou mais de uma vez com outros diretores, tornando o clima na cúpula do BB insuportável. O ex-presidente do BB já havia decidido afastar Diniz por considerar que ele estava criando problema demais e abusando do poder que tinha.
Mas numa conversa ontem com Malan, Zaghen soube que as demandas políticas eram mais fortes do que pareciam e que a decisão do ministro era afastar toda a diretoria. Um dos episódios mais rumorosos envolvendo Diniz foi a descoberta de que o BB pagava o aluguel de um apartamento de luxo no Rio de Janeiro, com vistas para o mar, para o diretor. Depois de publicada a notícia, o BB cancelou o contrato.

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