Rosa Costa
Agência Estado
De Brasília
O senador Luiz Estêvão (PMDB-DF) renunciou ontem à sub-relatoria do Plano Plurianual meia hora depois de assegurar que se manteria no cargo. A repentina mudança da opinião do senador leva a crer que ele tentou até o último momento convencer o líder do PMDB, Jáder Barbalho (PA), a apoiá-lo publicamente. Como não conseguiu, divulgou uma nota extensa, com 11 parágrafos, em que aponta a necessidade de deixar a relatoria por causa ‘‘de um caso grave de enfermidade que acometeu um dos membros mais próximos da minha família’’. ‘‘O que me leva a ausentar do Congresso entre os dias 23 e 29 de novembro.’’
Luiz Estêvão anunciou que abrirá mão da imunidade parlamentar, se o Supremo Tribunal Federal (STF) resolver processá-lo pelos crimes denunciados pela CPI do Judiciário. São eles: falsidade ideológica, enriquecimento ilícitos e atos lesivos ao patrimônio. ‘‘A imunidade parlamentar é um erro porque impede o parlamentar de se defender’’, argumentou. Ele insiste em dizer que não foi denunciado pela CPI, apesar da clareza do texto do relator Paulo Souto (PFL-BA).
De acordo com parlamentares, a situação de Estêvão piorou na noite de quinta-feira, na festa de casamento do filho de Jáder, quando ele sentiu de perto a hostilidade dos principais líderes peemedebistas.
Ficou claro para o senador ‘‘que ele estava abusando e que a solidariedade do partido estava por um fio’’. Um deputado aponta ainda como motivo de insatisfação dentro do PMDB a insistência de Luiz Estêvão em negar as acusações da CPI, agindo como se suas empresas tivessem participado à sua revelia do esquema que lhe assegurou uma boa parte do R$ 169 milhões desviados das obras do Fórum Trabalhista de São Paulo.
Em entrevista coletiva, Estêvão disse que seu pai-adotivo, Lino Martins, encontra-se enfermo, mas se recusou a dizer o nome do hospital, em Houston (EUA), onde ele estaria internado. Sua saída da relatoria do PPA foi recebida com alívio. ‘‘Era o que ele deveria ter feito desde o início’’, afirmou o senador Pedro Simon (RS). ‘‘Eu mesmo o aconselhei’’. Aos correligionários, Jáder reconheceu ter errado ao aceitar o pedido de Estevão para a relatoria.
O governo também se saiu bem com a renúncia de Estêvão – que em nota oficial pôs a culpa na mídia pelo envolvimento no escândalo – porque poderá avançar com a tramitação da proposta do Orçamento da União e do PPA. O exame das propostas vinha sendo obstruída pela oposição. Logo que ele deixou o cargo, o representante do PT na Comissão mista do Orçamento, deputado Virgílio Guimarães (MG), anunciou a decisão do partido de pôr um fim à obstrução.

mockup