O Palácio do Planalto continua irritado com o senador Antonio Carlos Magalhães, agora por causa da pressão que ele faz contra uma possível demissão dos ministros ligados a ele, em especial o ministro de Minas e Energia, Rodolpho Tourinho.
Segundo um interlocutor do governo, a visita de ACM aos procuradores da República considerados hostis ao governo na última segunda-feira e as negativas feitas por ele no seu discurso no Senado mostram a intenção de chantagear. ‘‘Quando disse que não iria falar em Eduardo Jorge, ele não só falou como disse’’, ponderou o interlocutor.
FHC foi informado de que ACM teria entregue documentos da CPI do Judiciário que investigou ligações de Eduardo Jorge. ‘‘O presidente ficou profundamente irritado e está preocupado que isto venha à tona’’, contou um importante peemedebista. Assessores garantem, entretanto, que a chantagem de ACM não surtirá efeito. ‘‘Se até o Jader pagou para ver, por que o presidente não irá fazer isso?’’, questionou um interlocutor do presidente. A maior preocupação do Planalto não é a descoberta de esquemas de corrupção, mas a possibilidade de os procuradores utilizarem as informações para irritar o governo.
FHC, no entanto, continua mantendo a postura de não polemizar diretamente com o senador. ‘‘Vamos mudar de pauta’’, disse um interlocutor do presidente. Fernando Henrique vetou qualquer declaração de ministros e assessores sobre reforma ministerial antes do Carnaval. ‘‘Vamos falar a partir de 5 de março.’’

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