Pressão de professores não muda veto de Requião
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quarta-feira, 24 de março de 2004
Maria Duarte<br> Equipe da Folha 
Curitiba - O governo do Paraná não pretende recuar na decisão de adiar até maio a implantação do Plano de Cargos e Salários dos professores. Apesar de o chefe da Casa Civil, Caíto Quintana, ter recebido a direção da APP em seu gabinete anteontem, abrindo novo canal de negociação, o encontro teve um caráter político e nenhum resultado prático. A tentativa dos professores de receber o pagamento através de abonos não prosperou, pelo menos por enquanto.
De acordo com a Comunicação do Palácio Iguaçu, o governo mantém ainda a decisão de descontar do salário dos professores o dia de paralisação, anteontem. O governador Roberto Requião (PMDB) voltou a dizer que está ''triste'' com os professores. Segundo Requião, o plano não é uma conquista do sindicato e sim do governo.
O veto do governador ao artigo 47 (que previa o pagamento retroativo a fevereiro) só será analisado pela Assembléia Legislativa na semana que vem. A implantação do plano foi adiada porque, de acordo com o governador, se fosse pago o retroativo a partir de agora o Estado extrapolaria os limites impostos pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF) para gastos com pessoal.
O presidente da Assembléia, Hermas Brandão (PSDB), disse que o veto vai passar primeiro pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) que se reúne na terça-feira e depois vai a plenário. Não há garantia de que a derrubada do veto implicará na implantação imediata do plano. Mas se o veto for derrubado, o impacto político será grande. A base governista pode sair dividida, trazendo desgaste ao governo.
A APP-Sindicato, que representa os 78 mil professores da ativa e 31 mil inativos, marcou para este sábado uma assembléia da categoria, em Londrina. A assembléia vai reunir professores de todo o Estado e será dividida em duas partes. Durante a primeira parte será analisada a prestação de contas da APP e votado o orçamento do ano que vem.
Na segunda etapa, os professores vão analisar as negociações feitas até agora com o governo do Estado e decidir as formas de mobilização possíveis. Greve não está descartada, segundo a direção da APP. O governo já avisou que pretende descontar os dias parados, em caso de greve.


