Pressão contra Sarney cresce com fim do recesso
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domingo, 26 de julho de 2009
Eugênia Lopes<br>Agência Estado 
Brasília - A uma semana do fim do recesso, o cerco em torno do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), começa a se fechar com o aumento da pressão para que ele renuncie ao comando da Casa. Aliados avaliam que as férias fragilizaram ainda mais a situação do peemedebista. Afinal, 54 senadores - dois terços do total de 81 parlamentares - vão disputar as eleições em 2010 e retornam na semana que vem de suas bases com as cobranças de eleitores.
Os supostos estragos do recesso na blindagem feita pelos governistas para a manutenção de Sarney no cargo começam a ser sentidos em todos os partidos aliados. Até mesmo o próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva estaria sendo aconselhado a não defender mais com tanta veemência o presidente do Senado. Levantamento feito por governistas aponta que hoje Sarney conta com 45 votos seguros a seu favor, na eventualidade de processo de cassação. Esses mesmo governistas alertam que desses 45 senadores, nada menos do que 37 são candidatos nas eleições do ano que vem, o que os deixaria mais suscetíveis à mudança de opinião.
Nessa situação encontra-se, por exemplo, o PMDB. Dos 19 senadores do partido, 16 perdem o mandato no ano que vem - apenas Jarbas Vasconcellos (PE), Pedro Simon (RS) e próprio Sarney têm mais quatro anos pela frente. Parte dos peemedebistas estaria mais preocupada agora em salvar a própria pele.
A tropa de choque do PMDB tenta minimizar a perda de apoio de Sarney. ''Apenas os senadores que estão no ocaso político e em final de carreira estão com essa preocupação em potencializar a crise no Senado'', afirmou ontem o senador Almeida Lima (PMDB-SE). ''Não estou dizendo que não existam cobranças nas ruas, mas a temperatura é de tranquilidade'', completou Lima, que enfrentará difícil disputa por nova vaga no Senado.
Apesar da pressão do presidente Lula, a bancada do PT está disposta a abandonar Sarney. A maioria do senadores petistas é candidata a reeleição: nove do total de 12 senadores. ''A cobrança da população é muito grande'', disse ontem o senador Renato Casagrande (PSB-ES).
Na semana que vem, assim que o recesso acabar, integrantes do Conselho de Ética vão se reunir para analisar as denúncias contra Sarney. A expectativa é que o presidente do Conselho, senador Paulo Duque (PMDB-RJ), mande engavetar as representações. A oposição avisou que irá recorrer.


