Deverá ser decidida no apagar das luzes de 2009 a queda de braço entre a pretensão do Executivo em rever a planta de valores que reflete em reajustes do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) de Londrina e a rejeição que esta medida está provocando entre aqueles que terão seus impostos aumentados. A tentativa de votação do projeto de lei nº 333/09 na penúltima sessão extraordinária da Câmara dos Vereadores rendeu bate-boca entre proprietários de imóveis que estavam nas galerias e o líder do prefeito Barbosa Neto (PDT), o vereador Sebastião Raimundo da Silva (PDT). Diante da pressão, ele adiou a votação do projeto para a última sessão ordinária, marcada para amanhã.
Antes de pedir o adiamento da votação em primeira discussão, o vereador tentou levar o debate para uma sessão reservada na sala da presidência da Casa. A proposta, rejeitada em plenário, inflamou a plateia de cerca de 30 munícipes que exibia faixas e cartazes com críticas ao texto que altera a planta de valores dos imóveis. O clima esquentou de vez quando Silva pediu a retirada do projeto de pauta por uma sessão, o que adiou a discussão para a última sessão ordinária do ano. A medida praticamente decretou a realização de pelo menos uma sessão extraordinária, porque o projeto precisa ser apreciado em duas discussões. Silva chegou a ser vaiado e xingado por alguns dos presentes.
Presente à discussão, o engenheiro agrônomo Júlio César Lima que vive há cinco anos em um apartamento na Gleba Palhano, região na porção sul de maior valorização imobiliária da cidade, criticou a ''manobra vergonhosa'' do vereador. ''Um aumento de 300% no valor do IPTU é vergonhoso, porque o meu salário sobe de 5% a 7% por ano'', comparou. Ele reclamou que o projeto de lei não teve todos seus critérios esclarecidos e adiantou que, por isso, vai estar presente na próxima sessão. A última revisão da planta de valores foi em 2001.
O vereador alegou que pediu o adiamento da discussão por uma sessão para que o projeto possa ser melhor debatido e advertiu que sem os recursos extras que viriam dessa revisão dos valores do IPTU, o Município terá dificuldades orçamentárias. ''Se a cidade não quer pagar imposto e se os vereadores não querem votar a favor, não tem problema. Existem outras formas e o prefeito terá que encontrá-las. Mas é preciso lembrar que o orçamento do Município depende disso. Como vai haver reposição de salário para os servidores? A própria Câmara depende disso para ter seu orçamento.''
Pelos indicativos dos bastidores, entretanto, o projeto deverá ser votado ainda este ano. O presidente do Legislativo, José Roque Neto (PTB), lembrou que também o prefeito tem a prerrogativa de requisitar uma sessão extraordinária em caso de urgência. Caso isso não ocorra e o projeto só seja apreciado no ano que vem, os eventuais reajustes no IPTU só passariam a vigorar em 2011.

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