Um ano e quatro meses depois que o prefeito de Arapuã - 160 km ao sul de Apucarana -, Hélio Mathias (PMDB), foi executado, em Arapongas, por pistoleiros de aluguel, a Polícia prendeu quatro suspeitos de envolvimento no assassinato. O atual prefeito da cidade, José Pereira da Silva (PMDB), o ‘‘Zé Tarugueiro’’, também figura como suspeito, mas sua prisão ainda não foi decretada.
Os delegados José Carlos Bassalobre (Arapongas) e Aparecido Antônio Gregório (Ivaiporã) pediram a custódia preventiva dos envolvidos, pedido que também foi reforçado pelo promotor Dennis Pestana. A prisão foi consumada ontem, quando Adeildo Pereira da Silva - irmão do atual prefeito de Arapuã -, Naelson Pereira da Silva (primo), Severino Belarmino de Medeiros (primo) e Antônio Marcelino (funcionário da prefeitura), compareceram à Delegacia de Ivaiporã para prestar depoimento.
Pelas provas e testemunhos também ficou caracterizada a suspeita de partipação do ex-vice e atual prefeito, ‘‘Zé Tarugueiro’’, em toda a trama. Porém, devido ao cargo que ocupa, não foi pedida a sua prisão preventiva. Vereadores declararam ontem que irão propor seu imediato afastamento do cargo.
Na companhia do advogado Renato Oliveira, os quatro mandantes do crime foram notificados da decretação de prisão preventiva e, imediatamente, recolhidos à cadeia. Eles serão ouvidos na próxima semana, conforme adiantou ontem o delegado Aparecido Antônio Gregório.
Além da quebra de sigilo bancário e telefônico, que contribuiu decisivamente para as investigações, a morte de Mathias começou a ser desvendada com o testemunho de João Alves da Silva, o ‘‘João da Funerária’’. ‘‘Ele resolveu contar tudo o que sabia, depois que seu nome foi envolvido como suposto participante do crime’’, revelou Gregório.
No primeiro depoimento, no dia 11 de agosto, ‘‘João da Funerária’’ falou sobre o envolvimento de ‘‘Zé Tarugueiro’’ e de seu irmão, Adeildo Pereira da Silva em alguns atentados ocorridos em Arapuã. Ele contou que foram ordenados por eles a perseguição ao padre Eugênio Cereja, as ameaças a outras pessoas e o incêndio da caminhonete da vereadora Vanilda Pereira Castro. O objetivo seria o de intimidar as pessoas que insistiam na cobrança de um solução para o assassinato do ex-prefeito Hélio Mathias.
Em outro depoimento dado no dia 14 de agosto, foi ainda mais esclarecedor. João Alves da Silva declarou que ouviu do próprio Adeildo, irmão do prefeito, a seguinte afirmação: ‘‘Nós estavamos humilhados pelos Mathias, mas depois que mandamos ‘fazer’ o Hélio, aí sossegamos’’. Ele acrescentou ainda que foi ameaçado de morte caso algum deles fosse preso.
Segundo o delegado de Ivaiporã, na impossibilidade de prender os pistoleiros que executaram Mathias, dois da Bahia e um do Mato Grosso, a polícia resolveu ouvir novamente todas pessoas arroladas no inquérito.
Os pistoleiros contratados foram Róbson Oliveira Santana (autor dos disparos) e Antônio Carlos da Silva, ambos da Bahia. Gessé Monezi, que residia em Mirassol D’Oeste-MT, foi morto em setembro de 97.

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