Presos que
depuseram à CPI
são transferidos
Onze presos que estavam na Delegacia de Furtos e Roubos de Curitiba foram transferidos ontem para o Centro de Observação Criminológica e Triagem (COT) do Presídio Provisório do Ahu. A transferência foi feita pelo Departamento da Polícia Civil, depois de uma determinação do juiz Francisco Eduardo Gonzaga Oliveira, da Corregedoria dos Presídios, por conta das péssimas condições e estrutura da cadeia. ‘‘Houve uma interdição parcial das celas da delegacia e os presos só poderiam ficar lá de forma provisória’’, afirmou o delegado Hamilton da Paz, que comandou a operação.
Dos onze presos, oito foram citados durante a permanência da CPI do Narcotráfico em Curitiba. São eles: Altair Ferreira Pinto (o ‘‘Taíco’’), Edson Clementino da Silva, Ezequiel de Barros, Marco Antonio Germano, Mauro Canuto Castilho e Souza, Moacir Alves Albuquerque, Osvaldo Alves da Veiga e Paulo César Rodrigues. Dois dos presos (Airton Adonski Júnior e Reinaldo Siduoski) são policiais condenados pela morte do estudante Rafael Zanella. O outro preso, Joaquim Alves, foi preso em Telêmaco Borba por receptação de produtos roubados.
A reportagem da Folha conseguiu conversar com dois deles, Taíco e Edson da Silva, que negaram participação com o crime organizado e o tráfico de drogas. ‘‘Somos bodes expiatórios aqui’’, declarou Edson da Silva. ‘‘Tenho como provar que não tenho qualquer participação com o tráfico. Estou preso há 22 dias e não tive ainda o direito de me defender’’, declarou ele, afirmando que provará que Shirley Pontes (acusada de ser o principal braço de Beira-Mar no Paraná) recebeu cerca de R$ 5 mil para citar o nome dele em seu depoimento.
‘‘Vou provar isso nos autos, na hora certa’’, afirmou ele. Taíco disse que conseguiu reunir mais de 50 documentos para inocentá-lo. ‘‘Foi tudo vingança contra mim.’’ Todos os presos passaram por revista e foram encaminhados para uma ala isolada. (L.P)

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