Presos políticos do Paraná ainda não foram indenizados
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sábado, 26 de abril de 1997
Patrícia Zanin Da Redação 
Vítimas do regime militar no Paraná ainda não receberam as indenizações previstas no projeto de lei sancionado em dezembro de 1995 pelo governo do Estado. O projeto ainda não foi regulamentado, decepcionando os beneficiados pela lei, de autoria do deputado estadual Beto Richa (PSDB). Ele calcula que a lei deve beneficiar pelo menos 12 ex-presos políticos. O governo teve sensibilidade de reconhecer a lei, que agora tenha a mesma sensibilidade de liberar o recurso. Não é só pela questão financeira, mas principalmente pela expectativa que causou às vítimas da truculência da ditadura, reivindica João Alberto Einecke, 52 anos, residente em Londrina e ex-militante comunista que permaneceu preso durante três anos.
Einecke é um dos beneficiados pelo projeto, que fixa indenizações de R$ 5 mil a R$ 30 mil aos presos políticos. Ele diz que é um dos mais novos a ser reconhecido pelo projeto. O pessoal mais velho está mal de saúde e, se demorar muito, corre o risco de nem receber esse dinheiro, alerta Einecke, que também sofre de problemas de saúde e psicológos em consequência das torturas a que foi submetido.
João Alberto Einecke diz que pretende usar parte da indenização para mover uma ação contra a União. As custas do processo são muito altas, algo em torno de R$ 5 mil, explica.
Em fevereiro, o chefe da Casa Civil, Giovani Gionédes, havia garantido ao deputado que o decreto regulamentando a lei 11.255 estava pronto. Mas até agora o decreto não foi publicado. A partir da regulamentação, a lei determina que deve ser criada uma comissão especial para receber e analisar os pedidos de indenização. A comissão terá nove membros e será formada por representantes do Executivo e de entidades ligadas à defesa dos direitos humanos. Também estão contemplados representantes do Conselho Regional de Medicina, Ordem dos Advogados do Brasil, Ministério Público, Assembléia Legislativa, Conselho Estadual de Saúde e um representante dos presos políticos.
Beto Richa diz lamentar a lentidão do Estado na regulamentação do projeto. Tenho sido cobrado constantemente e essa reivindicação é mais que justa, já que nosso objetivo é resgatar a luta dessas pessoas e incluir o Estado como co-responsável, explica. A lei preenche a lacuna deixada pela lei federal que indeniza famílias de mortos e desaparecidos durante o regime militar.
Ele disse que já teve inúmeras conversas com o governador e sua assessoria e alertou que o Paraná corre o risco de ser passado para trás. Os estados do Rio Grande do Sul, Paraíba, Ceará e São Paulo já estão discutindo projetos semelhantes. No caso do Rio Grande do Sul, o projeto enviado à Assembléia pelo governador Antônio Britto foi copiado do nosso. Fomos pioneiros, mas corremos o risco de ficar por último, reclama.
Semana passada, o governador Jaime Lerner declarou, em Cambé, que o projeto é uma iniciativa que abraçamos com grande entusiasmo. O governador não demonstrou, porém, até onde vai seu entusiasmo, já que não fixou data para fazê-lo sair do papel. Aguardamos apenas a regulamentação do projeto para, imediatamente, pagar as indenizações, declarou. Ele não soube informar quando sairá a regulamentação.


