Folhapress
  São Paulo - Em acareação realizada na noite de anteontem pela CPI dos Bingos, em São Paulo, os sete presos acusados de envolvimento no seqüestro e na morte do prefeito de Santo André Celso Daniel voltaram a negar a participação do empresário Sérgio Gomes da Silva, o ‘‘Sombra’’, no crime, que aconteceu em 2002. Até mesmo Elcyd Oliveira Brito, conhecido como ‘‘John’’, que seria o autor de uma carta endereçada ao empresário para cobrar o pagamento de R$ 1 milhão pela morte do prefeito, recuou e afirmou que escreveu a carta ‘‘para extorquir’’ dinheiro de Gomes da Silva. Elcyd é apontado pelo Ministério Público como testemunha de um crime político.
  ‘‘Confesso: eu menti ao juiz. Eu escrevi a carta tentando extorquir ele [Gomes da Silva]. Isso não tem nada a ver com crime político, foi um crime comum. O rapaz [Gomes da Silva] não tem nada a ver com isso’’, disse Elcyd ontem. No último dia 14, quando foi ouvido junto com os outros presos pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP), integrante da CPI, Elcyd havia negado ter escrito a carta com a tentativa de extorquir dinheiro do empresário. Na ocasião, o preso admitiu ter escrito a carta, mas desmentiu o conteúdo do documento, no qual cobrava dinheiro de Gomes da Silva.
  A carta endereçada ao empresário e a seu advogado foi enviada no dia 12 de agosto de 2005. Nela, Elcyd escreveu: ‘‘Você nos contratou para pegar o prefeito Celso Daniel, para arrancar os documentos que estavam com ele e, depois, eliminar o mesmo. Nós fizemos o que você mandou’’. O teor da carta chegou a ser confirmado por Elcyd como verdadeiro a juízes de Itapecerica da Serra (SP), em setembro. Sobre o conteúdo desse depoimento, Gomes da Silva disse: ‘‘Eu entendo a pressão que ele [Elcyd] sofre, entendo a posição dele. Ele sabe que isso não é verdade’’.
  Outro preso que negou a participação de Gomes da Silva no crime foi Itamar Messias Silva dos Santos. Ao ser questionado do porquê da presença do empresário na acareação, Santos respondeu apenas: ‘‘Se ele tivesse culpa, ele estaria presto’’. O empresário, que acompanhava o prefeito morto na noite do crime, foi denunciado em 2003 pelo Ministério Público como o mandante do crime. Chegou a ser preso, mas já está solto.
  Gomes da Silva se contradisse em pelo menos um momento ao ser questionado pelo senador Magno Malta (PL-ES), também da CPI, sobre o retrato-falado que ajudou a fazer logo após o crime. O empresário disse que não reconhecia nenhum dos sete presos que estavam à sua frente.
  A acareação, que começou às 21h20 e durou pouco mais de duas horas, prazo combinado entre a CPI e o advogado de Gomes da Silva, Roberto Podval, foi chamada pelo senador Romeu Tuma (PFL-SP), integrante da CPI, de ‘‘perda de tempo’’. Os sete presos, que ficaram lado a lado e de frente para o empresário, puderam durante toda a acareação conversar entre si, sem que o conteúdo pudesse ser ouvido pelos demais presentes à acareação.

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