Washington- A base de Guantánamo, Cuba, foi escolhida por Washington para abrigar os prisioneiros de guerra afegãos porque oferece a possibilidade de instalar tribunais militares que evitem os problemas legais existentes em território americano, sem a presença muito próxima da imprensa, disseram analistas à AFP ontem. ''Guantánamo tem a vantagem de ser uma instalação totalmente sob controle, ninguém entra ou sai sem ser registrado, e a base não está sujeita aos problemas ligados à transferência e mobilização dos detidos que existem em território dos Estados Unidos'', informou Anthony Cordesman, especialista em defesa e segurança do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (CSIS).
''Os tribunais militares podem operar na base, evitando-se também os problemas de se ter constantemente a presença não autorizada da imprensa, além de vazamento de informações e outros assuntos que podem convergir sobre o tratamento dos prisioneiros de guerra em um circo político'', acrescentou.
Para Ivan Eland, especialista em políticas de defesa do Instituto CATO, outro centro de reflexão de Washington, ''Guantánamo é praticamente inacessível, haverá menos jornalistas e atenção da imprensa. Além disso, é uma forma de justificar a existência de uma base que havia caído em desuso, e que os Estados Unidos querem manter nem que seja apenas para incomodar (o presidente cubano, Fidel) Castro'', opinou.
Prisioneiros Os Estados Unidos têm sob controle (no Afeganistão ou em navios) um total de 70 prisioneiros, incluindo dirigentes talebans e supostos membros da Al Qaeda, informou ontem a porta-voz do Pentágono, Victoria Clarke. Vinte e cinco prisioneiros foram transferidos do Paquistão para o Centro de detenção dos 'marines' em Kandahar. Oito não afegãos continuam sendo interrogados na embarcação Peleliu no mar de Omã, entre eles o taleban americano John Walker Lindh, um australiano e um saudita.

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