Curitiba - O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público (MP) do Paraná, deflagrou ontem uma operação para apurar suposto desvio de verba do Sindicato dos Motoristas e Cobradores do Transporte de Passageiros de Curitiba e Região Metropolitana (Sindimoc). O Gaeco cumpriu 17 mandados de busca e apreensão e três de prisão. Uma outra mulher também acabou presa em flagrante, por posse ilegal de arma. Entre os presos, está o vereador de Curitiba Denilson Pires (DEM), que é presidente do Sindimoc desde 1998.
Outro preso é o advogado da entidade, Valdemir Dias, que seria uma espécie de ''mentor'' do esquema, segundo o coordenador estadual do Gaeco, Leonir Batisti. O terceiro preso é o vice-presidente da entidade, Valdecir Bolete, que é candidato a presidente do Sindimoc, na disputa marcada para 30 de setembro.
De acordo com Batisti, o grupo preso conseguiu ao longo dos anos se ''revezar'' no comando do Sindimoc para manter o esquema. Ele afirma que os desvios são ''antigos'' e que a investigação do Gaeco, iniciada há dois meses, partiu inclusive de informações do Ministério Público do Trabalho.
Entre as apreensões estão R$ 120 mil em dinheiro, encontrados na sede do Sindimoc. ''Um boletim de caixa do dia 27 registrava que a entidade tinha apenas R$ 10 mil'', afirma Batisti. A arrecadação anual do Sindimoc giraria em torno de R$ 10 milhões - parte do valor vem de pagamento de passagem pelos usuários do sistema de transporte público.
O destino do dinheiro supostamente desviado ainda está sendo investigado. Mas o coordenador estadual do Gaeco não descarta o uso da verba em campanha eleitoral. Batisti também disse que não era possível fazer ligações entre a operação ocorrida ontem e os dois episódios de assassinatos envolvendo dirigentes do Sindimoc. ''Foram duas mortes até hoje não esclarecidas, mas não se pode fazer vinculações'', afirmou ele.
Em 1998, o então presidente da entidade, Aristides da Silva, conhecido como ''Tigrinho'', foi executado a tiros por pistoleiros na praia de Itapoá, Santa Catarina. No ano passado, o ex-diretor da entidade Alcir Teixeira, conhecido como ''Zico'', foi morto da mesma forma, após afirmar que iria denunciar as irregularidades.
A Reportagem não conseguiu ontem falar com a defesa dos presos. Eles podem ser denunciados por apropriação indébita e formação de quadrilha.

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