Preso na Polícia Federal de Curitiba, Lula não terá privilégios durante visitas
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terça-feira, 10 de abril de 2018
Rafael Machado<br>Grupo Folha 
O juiz federal Sérgio Moro determinou nesta segunda-feira (9) que o ex-presidente Lula não poderá receber visitas em horários diferenciados ao regime já estabelecido pela Polícia Federal. Desde o último sábado, o petista está preso na sede do órgão em Curitiba, no bairro Santa Cândida, para início de cumprimento da pena de 12 anos e um mês no caso do triplex de Guarujá (SP). A condenação por corrupção passiva e lavagem de dinheiro foi imposta pelos desembargadores do TRF4 (Tribunal Regional Federal da 4ª Região). Em despacho assinado no final da tarde, Moro tomou a decisão para "não inviabilizar o adequado funcionamento da repartição pública". Apenas um aparelho de TV foi cedido para o político, que continua na chamada Sala do Estado Maior, no quarto andar do prédio da PF.
A FOLHA não conseguiu repercutir o assunto com o presidente do PT no Paraná, o deputado federal Dr. Rosinha. Ainda nesta segunda, a representante nacional da legenda, a senadora Gleisi Hoffmann, assegurou que Lula é o candidato oficial do partido para as eleições presidenciais deste ano. Em entrevista coletiva, ela afirmou que o ex-presidente "é um preso político". Gleisi citou também uma eventual "união da esquerda" para o primeiro turno. Enquanto permaneceu no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo (SP), Lula recebeu o apoio de Guilherme Boulos, do PSOL, e Manuela D'Ávila, do PCdoB.
O pedido para visitar Lula nesta terça-feira, às 14h, foi feito pelos senadores Roberto Requião (PMDB) e Lindbergh Farias, os governadores Fernando Pimentel (Minas Gerais), Ricardo Coutinho (Paraíba), Paulo Câmara (Pernambuco), Wellington Dias (Piauí), Robinson Faria (Rio Grande do Norte) Belivaldo Chagas (Sergipe), Tião Viana (Acre), Renan Filho (Alagoas), Rui Costa (Bahia), Camilo Santana (Ceará) e Flávio Dino (Maranhão).
Receio
O entorno da PF é um misto de reações pró e contra o petista. A possibilidade de um confronto entre as partes levou a Justiça do Paraná a proibir a presença de manifestantes na região. Um movimento batizado como "Acampamento Lava Jato", liderado pela advogada Paula Milani, emitiu um comunicando informando um suposto receio de moradores do Santa Cândida com a iminência de conflitos. O grupo cobrou providências da Prefeitura de Curitiba sobre a instalação de barracas e excesso de sujeira de militantes do PT.
A assessoria de imprensa da administração curitibana disse que o assunto foi tratado em uma rápida reunião com a governadora Cida Borghetti (PP), recém-empossada no cargo. A comunicação do governo estadual reiterou que o esquema de segurança já montado pela Sesp (Secretaria Estadual de Segurança Pública) não será alterado. "Essa acusação de perturbação do sossego deles (pró Lava Jato) é mentira", respondeu Dr. Rosinha.
(com informações da Agência Estado)


