Belo Horizonte - O lobista Nilton Monteiro, que ficou conhecido em 2005, época do escândalo do valerioduto tucano em Minas Gerais, foi preso ontem pela Polícia Civil mineira. Ele é acusado de forjar documentos que colocam empresários e políticos como credores dele.
Monteiro foi o responsável por divulgar o caso que ficou conhecido como ''lista de Furnas''. Ele entregou à Polícia Federal, também em 2005, um documento que registrava supostos financiamentos ilegais de campanha eleitoral em 2002 a 156 políticos. A divulgação dessa lista se deu em meio à investigação do valerioduto tucano, esquema de caixa dois na campanha à reeleição em 1998 do então governador Eduardo Azeredo (PSDB-MG).
Na mesma época em que o escândalo veio à tona, estava em apuração pela Polícia Federal o mensalão do PT. Esses dois casos envolvem o empresário Marcos Valério Fernandes de Souza, que era sócio na agência de publicidade SPMB e suposto operador financeiro dos esquemas.
No caso do valerioduto mineiro, foi Monteiro quem também vazou dados referentes ao esquema financeiro da campanha de Azeredo. Uma lista faz descrição de origem e destino de supostos recursos de caixa dois.
Segundo o delegado Márcio Simões Nabak, chefe da Delegacia de Operações Especiais (Deoesp) da Polícia Civil de Minas Gerais, Monteiro foi preso por causa de um dos muitos títulos de crédito que ele teria falsificado.
De posse das falsificações dos títulos de crédito, com assinaturas reconhecidas em cartórios, Monteiro ingressava com ação de cobrança na Justiça. Em todas elas, segundo o delegado, o argumento para justificar o crédito era sempre ter prestado consultoria.
No seu depoimento prestado na manhã de hoje, com a presença do Ministério Público Estadual, segundo o delegado, Monteiro nada declarou. ''Ele disse que só vai falar em juízo.''
Monteiro estava acompanhado do advogado Raul Cardoso. À reportagem, porém, o advogado disse que apenas o acompanhou na oitiva, mas que ainda não sabe se é ele quem vai atuar no caso. O advogado de Monteiro, William Santos, disse que também não sabe se é ele quem ficará com esse novo caso. Monteiro vai responder a inquérito por estelionato, falsificação de documentos e formação de quadrilha.

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