O quarto reservado no Batalhão da Polícia Militar (BPM) de Maringá não está impedindo o ex-secretário municipal de Fazenda Luiz Antônio Paolicchi de gerir negócios e controlar bens ainda que indisponíveis pela Justiça. Um dos únicos presos no País por corrupção, Paolicchi é acusado de participar de um esquema que desviou mais de R$ 100 milhões dos cofres da Prefeitura de Maringá.
A prisão, no entanto, que completa hoje um ano, não representa necessariamente falta de impunidade pelos crimes dos quais o ex-secretário é acusado. Ao contrário, Paolicchi desfruta de privilégios que só o dinheiro poderia proporcionar para uma pessoa presa. O quarto reservado oferece conforto e alimentação fora do comum quando comparado à situação da maioria dos detentos das delegacias paranaenses.
Fontes da Folha e depoimentos de vizinhos do batalhão garantem que de fato são muitos os privilégios. Entre eles, o uso de telefone celular, liberdade de caminhar pelo quartel, usufruindo inclusive da academia de ginástica, o de determinar a entrada e o horário de visitas e impedir qualquer tipo de aproximação da imprensa. Na lista das visitas mais constantes, além dos advogados, está o personal trainer e uma professora para aulas de inglês.
Os indícios de regalias não são novos. Em janeiro deste ano, a Folha mostrou que Paolicchi usava um telefone celular de seu advogado particular. A reportagem chegou a ligar para o telefone, que foi atendido pelo próprio Paolichi.
O relacionamento com determinados policiais é tão próximo que alguns soldados prestam serviço particular de segurança para o ex-secretário. ''Se fizermos uma pesquisa interna vai ser possível constatar que 70% dos policiais abominam a presença do ex-secretário no batalhão, no entanto, o restante não tem do que reclamar'', revelou, esta semana, uma fonte da Folha de dentro do quartel.
A área em volta do Batalhão da PM é monitorada. Se uma pessoa, ou um grupo, fica parado nas ruas vizinhas, é obrigado a dar aos policiais uma explicação dos motivos pelos quais está na área. O controle é tão rígido que até moradores de um prédio vizinho ao muro do batalhão foram ''orientados'' pela polícia para proibir a entrada de pessoas ''estranhas'', principalmente da imprensa, porque o local oferece ''ângulos'' interessantes do quarto que abriga o ex-secretário. ''Eles (a polícia) fazem ameaças veladas, dizendo que podemos responder a processos se facilitarmos a entrada de cinegrafistas ou de fotógrafos no prédio'', contou uma moradora.
Um outro vizinho revela que o monitoramento é rápido e eficaz. ''Outro dia tinha três homens engravatados parados na esquina, passaram uns minutos, um policial veio perguntar o que eles faziam e os homens foram obrigados a ir embora'', relatou o vizinho.
Dono de uma mineradora, aeronave, fazendas, apartamentos e carros importados, Paolicchi amealhou durante quase dez anos uma lista de bens que acabou chamando a atenção da própria Justiça. Ele responde na Justiça Federal a dois processos por crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, sonegação e peculato.
Na Justiça estadual são outros quatro processos. Em todas as ações, Paolicchi tem como principal parceiro nas denúncias o ex-prefeito Jairo Gianoto (sem partido). Nas três gestões municipais em que atuou como diretor de Fazenda ou como secretário, Paolicchi é acusado de desviar recursos públicos. A sentença do primeiro processo, aberto em outubro do ano passado, pode sair até o dia 20 deste mês.

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