Preso diz à PF que hackeou mensagens da Lava Jato e as entregou de forma anônima ao Intercept
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sexta-feira, 26 de julho de 2019
Diego Prazeres - Grupo Folha 

Brasília - Para a Polícia Federal, Walter Delgatti Neto, preso na última terça-feira (23) sob suspeita de atuar como hacker, foi a fonte do material que tem sido publicado desde junho pelo site The Intercept Brasil com conversas de autoridades da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba.
Em depoimento, Delgatti, um dos quatro presos pela PF, disse que encaminhou as mensagens ao jornalista Glenn Greenwald, fundador do site, de forma anônima, voluntária e sem cobrança financeira.
Os contatos com Greenwald, segundo o preso, foram virtuais, somente pelo aplicativo de conversas Telegram, e ocorreram depois que os ataques aos celulares das autoridades já tinham sido efetuados.
A polícia agora trabalha para confirmar se as informações dadas por Delgatti, de que agiu de forma voluntária e sem pedir dinheiro em troca, são verdadeiras. Não há até agora indício de que tenha havido pagamento pelo material divulgado, segundo investigadores.
Entre os alvos dos ataques está também o presidente Jair Bolsonaro, que prometeu punição rigorosa aos acusados (leia nesta página).
Em depoimento, Delgatti afirmou ainda ter agido neste caso por não concordar com os caminhos da Lava Jato. A apuração da PF é a de que o grupo hackeava contas do Telegram e contas bancárias por dinheiro. A perícia criminal da Polícia Federal copiou dados guardados pelo suspeito preso em plataformas de nuvens na internet que sugerem veracidade em pelo menos algumas das declarações de Delgatti até aqui.
Nesse material apreendido, estão conversas entre procuradores da Lava Jato como as que foram divulgadas pelo Intercept. De acordo com envolvidos na busca e apreensão na terça-feira, um celular de Delgatti estava na conta do Telegram do ministro da Economia, Paulo Guedes, quando agentes chegaram à casa dele, em Araraquara. O episódio, para a PF, reforça que era o mesmo grupo que agia.
O ministro da Justiça, Sergio Moro, já havia associado a prisão dos quatro suspeitos à divulgação pelo site das mensagens que mostram interferência do ex-juiz da Lava Jato nas investigações da força-tarefa.
Os jornalistas responsáveis pelo Intercept rebateram a mensagem de Moro. Glenn Greenwald disse no Twitter que o ministro da Justiça "está tentando cinicamente explorar essas prisões para lançar dúvidas sobre a autenticidade do material jornalístico".
"Nunca falamos sobre a fonte. Essa acusação de que esses supostos criminosos presos agora são nossa fonte fica por sua conta [Moro]", acrescentou Leandro Demori, editor-executivo do Intercept.
Quando as primeiras mensagens vieram à tona, em 9 de junho, o site informou que obteve o material de uma fonte anônima, que pediu sigilo. O pacote inclui mensagens privadas e de grupos da força-tarefa no aplicativo Telegram a partir de 2015 e revelam que havia uma clara sintonia entgre os procuradores e o então juiz Sergio Moro.
OUTROS PRESOS
Além de Delgatti, foram presos Gustavo Henrique Elias Santos, Suelen Priscila de Oliveira e Danilo Cristiano Marques. Os quatro suspeitos foram detidos temporariamente (por cinco dias, prorrogáveis por mais cinco) na terça-feira. As ordens de prisão foram cumpridas em São Paulo, Araraquara (SP) e Ribeirão Preto (SP). Os envolvidos foram transferidos para Brasília.


