Preso, agora Joel responde por compra de votos
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quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
O Ministério Público Eleitoral (MPE) cumpriu ontem o prometido em dezembro passado e denunciou criminalmente o vereador Joel Garcia (PDT) por compra de votos na eleição de 2008. Preso há 27 dias - 26 deles, no 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM) - por supostamente manipular testemunhas da investigação de suposta contratação de assessora ''fantasma'', Joel e três cabos eleitorais pagos pela campanha dele, também denunciados, teriam, conforme a denúncia assinada pelos promotores Yara Faleiros Guariente e Renato de Lima Castro, cooptado voto de eleitores do Distrito de São Luiz (Zona Sul) em troca de R$ 30, em média, cada um.
A denúncia foi subsidiada por recibos coletados por oficiais do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) e pela Polícia Federal (PF), em São Luiz, em 16 de dezembro passado. O material foi localizado nas casas dos três ex-integrantes de campanha, os quais, apontados como cabos eleitorais do pedetista, teriam listas com nomes e dados de eleitores do distrito, além de respectivos pagamentos.
Durante as investigações, diversos moradores foram ouvidos in loco pela promotora que assina a ação, em conjunto com o delegado Elvis Secco, da PF. Vários deles, segundo atestaram os oficiais à reportagem, no distrito, no dia dos depoimentos, teria confirmado o recebimento de valores entre R$ 20 e R$ 30 por voto. A denúncia foi apresentada ao juiz da 146 Zona Eleitoral, José Antonio de Marchi, e aponta afronta ao artigo 299 do Código Eleitoral, que prevê, em caso de condenação, de um a quatro anos de reclusão.
De acordo com o promotor Renato Castro, foi requerido ao juiz que a dois dos três ex-cabos eleitorais denunciados seja concedido o benefício da delação premiada, uma vez que, segundo ele, colaboraram nas investigações.
Além da suposta compra de votos, o vereador também responde, mas na Justiça comum, por supostos crimes de peculato, no caso da ex-assessora, e concussão, referente, segundo o Gaeco, às situações em que teria ameaçado colocar obstáculos à tramitação de um projeto de lei de interesse do Procon, ano passado, caso uma ex-cabo eleitoral, estudante de Direito, não fosse nomeada, e também por suposto pedido de favorecimento que teria feito à equipe de Governo, novamente mediante ameaças, para que empresa da família dele fosse beneficiada na licitação da merenda escolar. A ex-cabo eleitoral que teria recebido a promessa de vaga no Procon, por sinal, é filha de um dos denunciados de ontem, por compra de votos - a um dos quais foi pedida a delação premiada.
A FOLHA tentou contato por mais de uma ocasião com o advogado de Joel, Maurício Carneiro, mas ele não atendeu as ligações. Em seu escritório, uma funcionária informou que ele não estava e disse desconhecer se o advogado estaria em Londrina. Carneiro tenta desde a semana passada reverter, com pedido de habeas corpus ao Supremo Tribunal Federal (STF), a prisão prventiva - o que já foi negado pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) e pelo Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR).


