Brasília - Após várias reclamações de entidades de direitos humanos e de defesa de trabalhadores rurais, ontem, a administração do Presídio de Segurança Máxima da Papuda, em Brasília, abrandou a disciplina rígida aplicada aos 42 militantes do Movimento de Libertação dos Sem Terra (MLST) que continuam presos pela invasão e depredação das instalações da Câmara, há uma semana. Incomunicáveis e tratados a pão e água desde o episódio, eles receberam uma TV a cores e um rádio e puderam assistir ao jogo de estréia do Brasil na Copa, contra a Croácia.
Também a pedido dessas entidades, as nove mulheres do grupo foram transferidas do setor de segurança máxima para o presídio feminino, podendo, assim, ter direito a visitas e a receber objetos de primeira necessidade. Nem remédios ou absorventes elas podiam receber, conforme informou o advogado Boris Trindade, que criticou o excesso de rigidez contra trabalhadores, tratados como criminosos de alta periculosidade.
As maiores cobranças para que os direitos dos militantes sejam respeitados têm partido da Secretaria Especial de Direitos Humanos, comandada pelo ministro Paulo Vanichi.
Com uma semana de atraso, a Polícia Federal (PF) encaminha amanhã (14) à 10. Vara da Justiça Federal os autos da prisão em flagrante dos 42 militantes do MLST. Baseado nessas peças do processo, o Ministério Público (MP) definirá as responsabilidades de cada um no episódio. A esperança da defesa é que, após a individualização da denúncia, a maioria dos detidos, até mesmo o coordenador do MLST Bruno Maranhão, seja libertada.

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