O documento produzido pelos 12 presidentes reunidos durante dois dias em Brasília reafirma a necessidade de integração geopolítica e comercial da América do Sul e exige uma melhor inserção internacional da região, como forma de promover o desenvolvimento. Ao discursar no encerramento da 1ª Reunião de Presidentes da América do Sul, o presidente Fernando Henrique Cardoso evocou o sonho do libertador Simon Bolívar de criação dos Estados Unidos da América do Sul como uma utopia que está sempre presente. ‘‘Acho que esse é o espírito’’, disse em apoio à proposta dos presidentes Hugo Chávez, da Venezuela, e Alberto Fujimori, do Peru.
Fernando Henrique contestou insinuações de que o encontro teria por objetivo criar um bloco hegemônico nas Américas. ‘‘Essas idéias de hegemonia são antigas, antiquadas e não se compaginam com o mundo moderno, nem a hegemonia de um país, nem de uma região e nem a vontade de impor a quem quer que seja os nossos desejos.’’
Segundo o presidente, a reunião aconteceu por motivos mais simples: ‘‘Porque somos bons vizinhos, queremos continuar bons vizinhos, temos problemas de vizinhança comum e de infra-estrutura.’’ De acordo com ele, a reunião procurou caminhos práticos que terão prosseguimento. O tema da integração física foi tomado como prioridade e os presidentes marcaram um encontro de chanceleres, em Montevidéu, previsto para novembro ou dezembro, para examinar estímulos à participação do setor privado nesse processo.
Os presidentes reconheceram a necessidade de haver mais equilíbrio entre os países desenvolvidos e em desenvolvimento nos fóruns internacionais, inclusive na Organização Mundial do Comércio (OMC). ‘‘Temos de buscar ousadamente nossos caminhos, precisamos de ousadia na defesa dos nossos interesses comuns’’, disse o presidente, em referência à necessidade de maior participação dos sul-americanos nas discussões da nova arquitetura financeira internacional, sobre meio ambiente, cláusulas de proteção social e às questões relativas à luta pelo acesso aos mercados.
Apesar de reafirmar o apoio da região à formação da Área de Livre Comércio das Amércias (Alca), até 2005, como querem os Estados Unidos, o comunidado afirma que as negociações deverão ser conduzidas em bases equitativas e equilibradas que assegurem o acesso efetivo a mercados para as exportações da Amércia do Sul. Os presidentes pedem, no documento, que a comunidade financeira internacional trabalhe para que se encontre, em conjunto, uma rápida solução para o problema dos desequilíbrios nos mercados financeiros internacionais.
Na avaliação de FHC, ‘‘em que pese todos sabermos que existem desigualdades, ela é insuportável e é preciso uma força ética para diminuir as desigualdades, a força moral da cooperação entre os povos.’’ Para ele, a atual ordem internacional, reproduzida por ‘‘cláusulas leoninas’’ dos contratos de dívidas, mantém as assimetrias.

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