France PresseÉticaSamper e Fernando Henrique se encontram em Cartagena: Brasil dá apoio à Colômbia em seus esforços contra o tráfico de drogasOs 23 presidentes e chefes de governo de países ibero-americanos assinam amanhã, na Ilha Margarita, na Venezuela, uma declaração cujo enfoque principal é a busca dos valores éticos na democracia. Proposto pelo presidente venezuelano, Rafael Caldera, o tema interessa aos países representados nesta ilha, pois quase todos viveram e vivem de perto o problema da corrupção na administração pública. O presidente Fernando Henrique Cardoso disse meses atrás que sua reeleição só poderia ser abalada por dois fatores: um desastre na economia ou um escândalo no Palácio do Planalto.
A própria Venezuela, assim como o Brasil no caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello, tirou do poder, por meio de ‘‘impeachment’’, o presidente Carlos Andrés Pérez acusado de corrupção. A ética na administração pública integra o capítulo 4 da Declaração de Margarita. ‘‘A corrupção é um flagelo universal, que afeta nossos países e pode levar à desestabilização institucional e à desconfiança nas instituições democráticas’’, diz um trecho deste capítulo, no qual o acordo a ser firmado é com a conduta ética na administração pública.
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Fidel Castro e Hugo Banzer, da Bolívia, chegam a Ilha Margarita para a reunião de cúpula Ibero-Americana: união contra a corrupção

A maioria dos presidentes que ratificarão este compromisso sabe o poder destrutivo que uma denúncia apontando corrupção em seu governo pode causar. Pertencem a países que estão vivendo uma onda de cobranças éticas por parte da sociedade. No documento oficial que preparou para a cúpula, o presidente Fernando Henrique Cardoso faz uma referência ao caso brasileiro, mencionando o afastamento do ex-presidente Fernando Collor de Mello, em 1992, sem citar o nome do ex-presidente.
Segundo Fernando Henrique, embora tenha trazido um inevitável desgaste político, a retirada de um presidente por meio de ‘‘impeachment’’ no Brasil produziu um ‘‘ganho ético considerável: a sociedade aprendeu que pode, de forma pacífica e ordeira, dentro da normalidade democrática, intervir no jogo político para fazer valer os padrões de moralidade pública mais elevados’’.
No documento oficial, Fernando Henrique ressalta que a deterioração dos padrões éticos ‘‘pode contribuir para desestabilização da democracia e para bloquear o progresso social’’. No pronunciamento que fará hoje, durante a reunião, deverá falar sobre a revalorização da ética na administração pública e como esta passou a ser um requisito fundamental para a democracia.
Para Fernando Henrique, neste fim de século, as sociedades estão menos tolerantes com a prática de corrupção. O presidente tem declarado que apenas dois problemas poderiam colocar em risco a sua reeleição nas eleições do próximo ano: problemas na estabilidade econômica ou um escândalo envolvendo denúncias de corrupção em seu governo.
Seu colega argentino, Carlos Menem, sentiu na pele a influência que escândalos apontando corrupção podem provocar politicamente. As denúncias de corrupção envolvendo o presidente argentino e seus familiares, segundo as pesquisas, contribuíram para a derrota de Menem nas últimas eleições parlamentares.
Entre os presidentes que estão reunidos desde ontem em Margarita está também o da Colômbia, Ernesto Samper. Contra o presidente colombiano pesam denúncias de envolvimento com o Cartel de Cali. Foram apresentados 250 documentos revelando que o narcotráfico deu US$ 6,2 bilhões à campanha de Samper.
Há 38 anos do poder, o cubano Fidel Castro também participa da cúpula. Na VI Reunião Ibero-Americana, realizada em Vi¤a del Mar, o primeiro-ministro da Espanha, José Maria Aznar, incluiu no documento cobranças a Fidel para o compromisso com a democracia. Desta vez, em Margarita, nas reuniões preliminares, nenhuma das delegações incluiu nas discussões cobranças à Cuba.
A posição do governo brasileiro é a de que não devem ser feitas cobranças unilaterais. ‘‘A restauração da democracia em Cuba compete aos cubanos’’, argumentou o diretor do Departamento das Américas do Itamaraty, embaixador Castro Neves. ‘‘O governo brasileiro torce para que Cuba cumpra os compromissos assumidos com a democracia nas cúpulas porque isto facilitaria a reinserção do país às demais comunidades.

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