Presidentes de TREs criticam reformas
Leandro Donatti
De Curitiba
Os presidentes dos tribunais regionais eleitorais dos 27 Estados vão encaminhar ao Congresso manifesto contra itens das reformas política e do Poder Judiciário. A decisão foi tomada ontem à tarde em Curitiba, durante reunião do Colégio dos Presidentes dos TREs com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Néri da Silveira. Os TREs são contra a reeleição, a anistia de multas eleitorais, o corte das gratificações pagas aos juízes eleitorais e ainda contra um projeto do senador Roberto Requião (PMDB) que cria um sistema paralelo de apuração de votos ao programa padrão desenvolvido hoje pela Justiça Eleitoral.
A reeleição favorece quem está no poder. O sujeito pode ser honestíssimo, mas só aparecendo na mídia já sai em vantagem, analisou o presidente do Colégio dos Presidentes dos TREs, Osvaldo Stefanello. O desembargador, que responde hoje pelo TRE do Rio Grande do Sul, lembra que a reeleição foi duramente criticada no último encontro da categoria, em março desse ano. Encaminhamos um documento para o TSE. Desta vez, queremos ampliar as discussões e mostrar para o Congresso que temos uma posição, explicou Stefanello. Somos contra a reeleição não apenas de prefeitos, mas de governadores e até de presidente, declarou.
A anistia das multas, que tramita no Congresso, mexeu com o brio da Justiça Eleitoral. Eles (deputados e senadores) ficam elaborando leis draconianas e querem que a gente fique quieto. A Justiça Eleitoral faz um trabalho sério sim, não tem lógica revogar decisões como estão pretendendo, observou Stefanello. O desembargador disse que o Colégio dos TREs não é contra as adequações pretendidas pelos parlamentares. Tanto que no documento a ser enviado a Brasília consta um item pedindo a reformulação de dois outros dispositivos da lei que trata das multas eleitorais. A legislação está com alguns problemas de texto, que precisam de adequação, ponderou.
O projeto do senador Requião, protocolado no ano passado, logo após as eleições de outubro, sugerindo a criação de um mecanismo de controle paralelo ao voto informatizado, também traz incômodos aos presidentes de TREs. Eles alegaram ontem que a proposta coloca o trabalho da Justiça Eleitoral sob suspeição. É uma acusação de que não estamos exercendo a nossa função com honestidade. Isso é um grande absurdo. Esperamos que o Congresso não acolha esse tipo de medida, pregou Stefanello. Segundo ele, o item da reforma do Judiciário, acabando com as gratificações dos juízes eleitorais, é inconstitucional porque tira dos magistrados um direito adquirido e respaldado pela Constituição.
O presidente do TSE, Néri da Silveira, deixou para os presidentes dos TREs os protestos contra as reformas que tramitam no Congresso. O ministro disse que, como detentor do cargo máximo da Justiça Eleitoral brasileira, não pode emitir opiniões sobre temas políticos. É uma matéria de competência do Congresso. Não quero me pronunciar. Ao juiz cabe apenas aplicar a lei, repetiu diversas vezes. Néri da Silveira não quis ainda manifestar-se sobre a anistia eleitoral planejada pelo Congresso Nacional.Manifesto contra itens das reformas política e do Poder Judiciário, redigido ontem em Curitiba, será encaminhado ao Congresso
Fotos: José SuassunaCRÍTICAStefanello: A reeleição favorece quem está no poderATRIBUIÇÃOSilveira: É uma matéria de competência do Congresso





