Curitiba - Os dois ex-auditores do Banestado que prestaram depoimentos ontem na CPI que investiga as irregularidades cometidas no banco, Valter Benelli e Marçal Ussui Sobrinho, afirmaram que todas as irregularidades encontradas nos processos de auditagem, tanto no banco quanto nas empresas do conglomerado, chegavam ao conhecimento dos presidentes da instituição. ''Os presidentes sempre sabiam de todas as operações'', disse Benelli.
Segundo Ussui, dentro do banco os auditores tinham autonomia para desenvolver as investigações. Eles seguiam um Plano Anual de Trabalho, que abrangia todos os setores, sem interferência da presidência ou dos diretores.
Esse plano consistia principalmente na avaliação dos sistemas de controle interno, com objetivo de desenvolver processos de prevenção contra desvios.
Sobre a Banestado Leasing, Benelli disse que, como auditor, tomou conhecimento da existência de depósitos feitos em contas de ex-funcionários da empresa.
''Havia contas em nome de diversos funcionários'', disse, citando o nome de um ex-gerente de divisão, em cuja conta teria sido depositado mais de R$ 1 milhão. Segundo Ussui, vários outros funcionários teriam se envolvido no esquema, sob influência deste gerente de divisão.
Diante dessas descobertas, o então presidente do banco, Domingos Murta Ramalho, teria determinado que se fizesse um pente-fino na Banestado Leasing. Entre 1995 e 1996 teriam sido abertos 600 processos administrativos para averiguar os motivos da grande inadimplência nas agências.
A auditoria investigou mais de 30 operações irregulares na Leasing. Teriam sido enviados oito processos para o Ministério Público Federal, nove para a Polícia Federal e outros nove para o Ministério Público Estadual. O dinheiro desviado da Leasing ia, segundo os auditores, direto para a conta dos funcionários envolvidos nas irregularidades, abertas no City Bank.
Os deputados perguntaram por que o desempenho do banco caiu tão drasticamente, passando de um lucro de R$ 12 milhões em 1996 para prejuízos de R$ 278 milhões no ano seguinte e mais de R$ 500 milhões em 1999. Os auditores explicaram que não foi só a inadimplência e as irregularidades que levaram a isso.
''Foram várias razões. Desde o Plano Real, que penalizou a atividade pecuária e o Banestado tinha grande parte de suas atividades voltadas à agricultura dando prejuízo a vários bancos, até as operações irregulares como as do Banestado Leasing'', explicaram os ex-auditores do Banestado.
Está previsto para hoje na CPI do Banestado o depoimento do ex-vice-presidente José Evangelista de Souza, contratado para comandar o processo de saneamento de banco, em 1999. (Colaborou Maigue Gueths)

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