'Presidente vai pagar caro', diz ACM
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quinta-feira, 29 de março de 2001
Christiane Samarco Agência Estado De Brasília 
O senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) afirmou ontem que, na falta de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar corrupção no governo, lançará toda a munição contra o presidente do Congresso, senador Jader Barbalho (PMDB-PA), e contra o presidente Fernando Henrique Cardoso. Esta operação está custando caro para o País e o presidente também vai pagar um preço alto, protestou ACM, em referência à operação comandada pelo Palácio do Planalto para desmontar a abertura das investigações.
Participaram da ofensiva, que incluiu muita conversa e negociações de cargos e recursos federais, líderes do governo e de partidos aliados, ministros e até ex-colaboradores de FHC, como o presidente de Furnas Centrais Elétricas, Luiz Carlos Santos.
Apesar do empenho coletivo não só para evitar adesões ao requerimento da CPI, como retirar assinaturas ali registradas, nem ACM nem os partidos de oposição pretendem dar sossego ao governo. A CPI não morre pela falta de assinaturas porque o governo fica com uma espada sobre sua cabeça até o último dia de mandato do presidente Fernando Henrique, afirmou o líder do PT na Câmara, Walter Pinheiro (BA).
Ameaças à parte, o clima no Congresso ontem foi de tranquilidade. Aplicamos um tratamento agressivo, mas o câncer pode voltar, afirmou, cauteloso, um líder governista. Mas a contabilidade foi favorável. Seis deputados gaúchos enviaram ontem uma carta a Fernando Henrique, comunicando que retirarão as assinaturas do requerimento da CPI. Alegaram que, depois de muita reflexão, concluíram que o inquérito paralisaria o País.
Para facilitar a vida dos arrependidos, os líderes do PSDB, PMDB, PFL, PPB e PTB prepararam um manifesto enumerando quatro razões básicas pelas quais os aliados fiéis ao Planalto recusaram apoio à CPI. O documento, que inclui detalhes das investigações em curso para apurar denúncias de corrupção no governo federal, alega que a CPI é inconstitucional porque trata de fatos diversos e acusações vagas. Mas o documento é preventivo e só será usado se a oposição conseguir avançar na aprovação do requerimento da CPI.


