A uma semana da eleição municipal, o presidente Fernando Henrique Cardoso declarou ontem seu voto no candidato do PSDB à Prefeitura de São Paulo, Geraldo Alckmin, disse esperar que ele ganhe a disputa, mas afirmou que não perseguirá o vencedor, caso ele seja de outro partido. ‘‘Gostaria que ele ganhasse aqui porque sou do PSDB e vou votar nele. Agora eu não vi por isso. Ando o Brasil inteiro e continuarei andando independentemente de candidaturas’’, declarou FHC durante vistoria às obras do Rodoanel Metropolitano, uma das principais realizações do governo estadual, do qual Alckmin é vice.
A obra, que vem sendo citada no horário eleitoral gratuito do PSDB, segundo o próprio Alckmin, teve seu contrato firmado no período em que o candidato tucano ocupava, interinamente, o cargo de governador do Estado. O presidente afirmou, entretanto, não saber avaliar se sua presença na capital poderia ajudar seu candidato, atualmente tecnicamente empatado nas pesquisas na segunda colocação com outros três concorrentes.
‘‘Na democracia, as pessoas não se influenciam porque alguém disse isso ou aquilo. O eleitor tem capacidade de julgamento. Se quiser votar em alguém, vai votar independentemente de eu querer ou não. Posso até não gostar do voto no conjunto, mas tenho de respeitar’’, declarou FHC.
‘‘Agora também posso dizer com toda a tranquilidade que, ganhe quem ganhar, o governo federal não persegue. Os governadores de oposição são as maiores testemunhas de que nós nunca discriminamos porque eu penso é no povo que está ali usando as verbas’’, completou o presidente, que ainda prometeu liberar todas as verbas prometidas para a conclusão do empreendimento.
De custo total estimado em R$ 3,2 bilhões, o contrato da obra prevê que 50% do valor seja pago pelo governo paulista e o restante dividido entre a União e a prefeitura da capital. Mas, de acordo com informações do Estado, o município até agora não contribuiu em nada com os R$ 324 milhões já investidos.
Desse total, 246 milhões foram aplicados pelo governo paulista e R$ 78 milhões, pela União. De acordo com a Desenvolvimento Rodoviário S/A (Dersa), foram gastos R$ 6 mil na preparação da vistoria, que teve a duração de pouco menos de uma hora. O valor, afirma a empresa, teria sido custeada pelo Dersa e pela empreiteira encarregada da obra. Cinco placas com a inscrição Avança Brasil – programa de do governo federal – e governo São Paulo decoravam o local.

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