Presidente toma café com pão para ver os preços
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quinta-feira, 02 de julho de 1998
Tânia Monteiro Agência Estado 
Em ritmo de campanha, o presidente Fernando Henrique tomou café da manhã ontem em uma padaria do Gama, cidade-satélite a 40 quilômetros de Brasília, a mesma visitada por ele há três anos, no primeiro aniversário do Plano Real. Fernando Henrique quis provar o sucesso da estabilidade econômica, já que os preços tiveram uma pequena variação: o pão francês subiu de R$ 0,09 para R$ 0,10.
O dono da padaria Peres, Arnaldo Silva Peres, que é eleitor de Fernando Henrique, aproveitou a visita para pedir o aumento do salário mínimo. Deveria triplicar para que as pessoas tenham um pouco mais de dinheiro para gastar, defendeu. Constrangido, o presidente disse que o mínimo já havia sido reajustado - um aumento realmente mínimo, ressaltou o comerciante. Fernando Henrique disse que iria analisar melhor o assunto.
Depois, em entrevista, o presidente disse que o reajuste não depende dele, mas do do conjunto da economia. Na reunião do PMDB no Congresso, o presidente mencionou sua visita à padaria, e comentou que o brasileiro está aprendendo a reivindicar. Os brasileiros e as brasileiras, ao mesmo tempo que são cordiais, aprenderam uma outra qualidade da democracia: reivindicam. Isso é democracia. É o exercício da cidadania.
Fernando Henrique chegou à padaria por volta das 9h30, cumprimentou alguns populares e sentou-se em frente ao balcão. Pediu um copo de café com pão e manteiga e foi servido pelo dono da padaria. Ainda mastigando e com o pão na mão, Fernando Henrique se dirigiu ao caixa com uma nota de R$ 1 para pagar a conta de R$ 0,55. A visita ao local durou cerca de meia hora.
No discurso dirigido aos seus correligionários, no Congresso, o presidente disse ter ido à padaria para ver como tinham evoluído os preços. Mas admitiu que também queria testar sua popularidade. Confesso que fui lá para ver como aquele povo humilde do Gama receberia o presidente da República e confesso que foi um dia de felicidade para mim, afirmou o presidente-candidato. Lá comi um pedaço de pão, simbolicamente, como aqui com companheiros e companheiras que compartilham o pão, declarou.


