Presidente tenta, na TV, reverter má impressão
Presidente tenta, na TV,
reverter má impressão
Para tentar reverter a péssima repercussão da declaração da última segunda-feira, quando chamou de vagabundos aqueles que se aposentam antes dos 50 anos, o presidente convocou ontem cadeia de rádio e televisão para um pronunciamento. Ele disse ter criticado o privilégio de pessoas que trabalham 20, 25 anos e conseguem se aposentar jovens e com salários altos.
Não quero que uma palavra mal compreendida traduza de forma equivocada o imenso respeito que tenho por todos aqueles que trabalham e pelos aposentados que trabalham uma vida inteira, afirmou o presidente no pronunciamento de três minutos, que foi ao ar ontem, às 20h. Pessoas que começam muito cedo aos 14, 15 anos para ajudar as suas famílias, especificou. É evidente que estes trabalhadores têm direito a uma justa aposentadoria, completou. O que eu critico, e vou continuar criticando sempre, são os privilégios.
No pronunciamento, o presidente criticou as pessoas que se aposentam com 20, 15 anos de trabalho. E preciso acabar com estes privilégios, pois quem paga estas aposentadorias é a imensa maioria da população brasileira, argumentou. Isso não é justo. Desde terça-feira, vários aposentados ligam para diferentes telefones do Planalto para manifestar a indignação com a declaração feita por Fernando Henrique durante um seminário realizado no Rio de Janeiro na última segunda-feira.
Fernando Henrique fez questão de dizer palavras tranquilizadoras aos milhões de aposentados e pensionistas. Vocês, que trabalharam durante uma vida toda e deram tantos anos ao seu País, podem ter uma certeza: os seus direitos estão garantidos, afirmou. Nada vai acontecer com sua aposentadoria: nós estamos trabalhando para que o governo possa ter os recursos para pagá-la sempre em dia.
Madri O presidente Fernando Henrique Cardoso desembarca hoje em Madri para retomar viagem interrompida, há menos de um mês, por causa da morte do deputado Luis Eduardo Magalhães. Desta vez, o presidente e comitiva não ficarão hospedados no Palácio El Pardo, onde se instalam os governantes que estão no País, em visita de Estado. Esta nova viagem está sendo considerada uma visita de trabalho e o presidente e comitiva ficarão no hotel Ritz, construído em 1910.
O presidente permanecerá três dias em Madri, iniciando uma rodada internacional de sete dias. A viagem só será encerrada no sábado da próxima semana, depois que o presidente passar por Genebra e Lisboa. Em Genebra, na terça-feira, ele participa das comemorações do cinquentenário do Sistema Multilateral de Comércio. Na quarta, segue para Portugal, onde participa da inauguração da Exposição Mundial de Lisboa e tem reuniões reservadas com o presidente e o primeiro-ministro português.
O embaixador do Brasil em Madri, Carlos Garcia, garante que o mal-estar noticiado pelos jornais espanhóis por causa do cancelamento dos compromissos de Fernando Henrique de Madri, em decorrência da morte de Luís Eduardo, se restringiu a alguns diplomatas. (AE)





