O presidente Fernando Henrique Cardoso cancelou ontem todos os compromissos e ficou de cama. Segundo a mulher dele, Ruth Cardoso, foi uma intoxicação alimentar. ‘‘Ele está melhorzinho’’, disse ela à tarde. Questionada se era verdade que FHC não resiste ‘‘a uma tentação e come tudo mesmo’’, Ruth Cardoso respondeu que sim. ‘‘Infelizmente é verdade, e o resultado é esse (o mal-estar).’’ Ruth disse que apesar do mal-estar, FHC trabalhará normalmente hoje. A viagem de campanha que fará amanhã à Bahia está confirmada.
‘‘Ele está meio baqueado, mas foi só uma coisa passageira’’, disse ela. FHC se sentiu mal anteontem à noite, após chegar de São Paulo, onde almoçou com empresários da construção civil no clube Monte Líbano. Comeu salada de frutos do mar, arroz, batatas e filé ao molho.
Antes, no encontro que teve com empresários da indústria alimentícia, o presidente experimentou uma cachaça mineira. Mas, segundo os assessores da Presidência, a indisposição foi causada pela salada de frutos do mar. Ontem pela manhã, FHC foi examinado no Palácio da Alvorada por um dos médicos da Presidência, Ricardo Camarinha, que receitou o remédio Plasil - indicado para distúrbios gástricos, como náuseas e vômitos - e repouso.
Esta foi a segunda vez nos últimos três meses que FHC passou mal por causa de comida. Amigos e assessores de FHC costumam brincar com seu apetite. Segundo eles, o presidente come de tudo e adora experimentar novidades. O chefe do Cerimonial da Presidência, embaixador Válter Pécly, afirmou que FHC ‘‘gosta do mais simples ao mais sofisticado’’.
A intoxicação alimentar impediu ontem que FHC gravasse um depoimento para a propaganda eleitoral do governador Jaime Lerner (PFL-PR), candidato à reeleição. Lerner esteve em Brasília para gravar o quadro do programa de televisão ao lado de FHC. O coordenador político da campanha, Euclides Scalco, gravou o depoimento. Scalco disse que Lerner foi o primeiro candidato a pedir ao comitê de campanha ‘‘uma fala’’ do presidente para o programa eleitoral.
Estratégia A coordenação da campanha de FHC vai manter, por enquanto, o formato do programa eleitoral gratuito. A estréia do presidente-candidato no rádio e na TV agradou os aliados políticos e os profissionais da campanha, mas possíveis mudanças vão depender das pesquisas de opinião.
A propaganda está sendo analisada diariamente pela equipe de pesquisa e marketing e poderá ter mais emoção do candidato. ‘‘A aceitação ao primeiro programa foi muito boa’’, afirmou Scalco.
O ânimo entre os aliados é maior quando se trata da avaliação do programa de Lula. A linha escolhida ganhou nota baixa entre interlocutores diretos do presidente. Para eles, o PT errou até na mudança da cor da bandeira. ‘‘Bandeira branca é sinônimo de rendição’’, observou um dos amigos de FHC.

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