A crise mundial só aparecerá no programa eleitoral do rádio e televisão da campanha de Fernando Henrique caso haja especulação por parte da oposição em cima do Real. Essa decisão foi reafirmada ontem depois de uma reunião dos coordenadores da campanha com o presidente, no Palácio da Alvorada. O programa de governo do candidato também não sofrerá nenhum reajuste nas metas, segundo o coordenador político Euclides Scalco.
‘‘Se o próximo ano for de aperto, temos como compensar nos outros três anos de governo; afinal, a crise não vai durar quatro anos.’’ ‘‘Porque, se a crise durar quatro anos, acaba o mundo’’, avaliou Scalco.
Segundo Scalco, o presidente aparentava estar tranquilo e seguro. ‘‘Foi Fernando Henrique quem tranquilizou todos nós.’’ Scalco voltou a lembrar que o programa de governo foi concebido em cima de um cenário de crise. Portanto, não haverá mudanças. Em relação ao aumento dos juros para 49,7% ao ano, o coordenador observou ser a medida um sinal de que FHC tem responsabilidade para dirigir o País. ‘‘Ele não deixará de ser chefe de Estado por causa de sua candidatura; a campanha não irá atrapalhar em nenhum momento as medidas de governo’’, disse.
Scalco desmentiu o boato que circulava ontem em Brasília, de que o ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, substituiria Gustavo Franco na presidência do Banco Central (BC). Para fazer a afirmação, ele lembrou que também tinha ocorrido o boato de que Barros seria demitido.

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