Arquivo FolhafItamar: testemunha contra FHCO presidente Fernando Henrique Cardoso disse ontem que quando era ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, a liberação de verbas do governo federal dependia de ‘‘pressão política, de boa vontade, sabe Deus do que’’. A declaração foi dada durante solenidade de lançamento do programa de expansão da educação profissional, numa resposta indireta às críticas que vem recebendo de seu antecessor, o ex-presidente Itamar Franco. ‘‘Naquela época, havia um só poder: era o poder do cofre, do Tesouro’’, completou.
Desde que foi derrotado na convenção do PMDB, com a vitória da tese de apoio do partido à reeleição de Fernando Henrique, Itamar Franco vem fazendo várias acusações a seu sucessor. Disse que o presidente comprou os votos dos peemedebistas, chamou Fernando Henrique de ‘‘enguia escorregadia’’. Anteontem posou ao lado dos candidatos da oposição - Lula e Brizola - e ofereceu-se para testemunhar contra o presidente no processo aberto pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para investigar denúncia de uso da máquina federal na convenção do PMDB por representação apresentada pelo PT.
No discurso de ontem, Fernando Henrique afirmou que a descentralização na distribuição das verbas federais é uma das principais mudanças promovidas pelo seu governo. ‘‘Ao refazer o Estado - e não diminuí-lo - para que seja mais eficiente, nós estamos descentralizando poderosamente os recursos do governo, estamos transferindo poder’’, argumentou. ‘‘Só com a reorganização do Estado se começa a ter políticas públicas que possam ter consequências de médio e longo prazo.’
O presidente salientou que o País passou anos ‘‘patinando na inflação, no populismo, no desmando, no grevismo’’. ‘‘Tudo que era habitual nas nossas vidas nas últimas décadas.’ Fernando Henrique afirmou que isso gerava uma incapacidade de governar. ‘‘Não pelas pessoas, mas pelo processo inflacionário, que desmoralizava tudo e impedia o cálculo’’, reconheceu. ‘‘As verbas (liberadas quando havia inflação) se esvaziavam com o decorrer do tempo e a concentração desse poder era imensa.’
Pressionado pelos partidos nesta reforma ministerial que irá promover para preencher as vagas dos ministros candidatos às eleições de outubro, Fernando Henrique aproveitou o discurso de ontem para condenar as disputas entre os partidos da base aliada. ‘‘Não se pode mudar o Brasil com a miopia de pensar que é preciso controlar o plano central e nem com a miopia de pensar que é possível controlar, com um só partido, com um grupo contra o outro, com um segmento contra o outro’’, avisou. ‘‘É preciso ter uma visão mais larga, mais generosa, para corresponder às necessidades do nosso povo.’’

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