O presidente Fernando Henrique Cardoso deixou transparecer para integrantes da comitiva, durante a viagem a Quebec, no Canadá, sua irritação com o episódio envolvendo José Roberto Arruda que, junto com o senador Antonio Carlos Magalhães, foi acusado de ser o responsável pela violação do painel eletrônico na votação secreta que cassou o mandato do então senador Luiz Estevão (PMDB-DF).
O presidente desabafou para um parlamentar que o acompanha na viagem. ‘‘Arruda que se vire’’, disse Fernando Henrique indignado. ‘‘Eu o aconselhei a deixar o cargo de líder e ele não me ouviu’’, lamentou Fernando Henrique.
Não é por acaso a insatisfação do presidente. Além da certeza de que Arruda está envolvido no episódio, ele, agora, sabe que o seu ex-líder usou o cargo para tentar abafar as investigações do Senado sobre o episódio. Fernando Henrique foi informado que Arruda aproveitou-se de sua condição de líder do governo - dizendo-se emissário do próprio Planalto - para tentar costurar um pacto de paz entre o presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB-PA), e ACM. ‘‘Nunca ordenei nenhum acordo, ao contrário’’, disse o presidente.
Arruda tentava, há três semanas, insistentemente, tornar viável um acordo de não-agressão entre os dois políticos. Sua alegação: a necessidade de evitar a abertura de comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar denúncias de corrupção no Executivo, o que prejudicaria a governabilidade dos últimos meses do mandato de Fernando Henrique. Sabe-se, agora, que, na verdade, Arruda queria evitar o aprofundamento das investigações sobre a violação do painel, o que foi revelado na semana passada com o depoimento de Regina Borges.
As investidas de Arruda para promover o pacto coincidiram com as primeiras notícias publicadas pela revista IstoÉ, revelando o seu envolvimento com a quebra de sigilo do painel. A iniciativa do então líder do governo nunca contou com o aval do Planalto ou do próprio presidente. Ao contrário.
Durante jantar na noite de quinta-feira, em Quebec, o presidente voltou a enfatizar que este era um assunto exclusivo do Congresso e ele não deveria se envolver.

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