O presidente Fernando Henrique Cardoso divulgou ontem à tarde nota oficial à imprensa na qual se diz indignado com a reportagem publicada ontem pelo jornal ‘‘Folha de S.Paulo’’ sobre a privatização da Tele Norte Leste. Segundo trecho da nota divulgado pela Radiobrás, FHC afirma que: ‘‘...Em matéria sensacionalista e pontilhada de insinuações que não correspondem às próprias transcrições de informações obtidas de forma ilegal, o noticiário obscurece fatos fundamentais a saber: 1 - Trata-se de leilão e não de licitação. Portanto, o governo estava empenhado em obter o melhor preço na venda do patrimônio público; 2 - Por isso - e porque estava, como está, atento à transferência das teles a empresas sólidas e capazes de bem cumprir o serviço público, houve empenho na participação de mais concorrentes ao leilão; 3 - Lidos com boa fé, os diálogos travados entre o presidente e seus interlocutores oficiais informam o andamento dos leilões e dão conta das ações necessárias para a consecução dos propósitos acima indicados; 4 - O consórcio vencedor não foi aquele que aparece na matéria jornalística como tendo sido beneficiado pelo governo; 5 - O processo de privatização foi um sucesso. Os resultados são visíveis e as privatizações continuarão com toda a transparência que sempre tiveram neste governo.’’
FHC articulou pessoalmente a rápida reação dos líderes do governo e da base aliada à divulgação das fitas. O presidente telefonou para alguns líderes, como o do PFL, Inocêncio Oliveira, e o do governo, Arnaldo Madeira, e determinou que unificassem os discursos de repúdio às denúncias.
A estratégia foi bem sucedida e, em poucas horas, PSDB, PFL e PMDB estavam batendo na mesma tecla, argumentando que o conteúdo das fitas não compromete o presidente. Também afirmaram considerar desnecessária a convocação de uma CPI para investigar a privatização.
O líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (PMDB-RN), disse ontem na tribuna que FHC não cometeu nenhuma irregularidade nas conversas. ‘‘O que houve foi a preocupação do presidente para que uma empresa não qualificada viesse a operar um sistema tão delicado quanto o da telefonia’’, argumentou sobre a denúncia de que FHC agiu para favorecer o consórcio do Banco Opportunity e da empresa italiana Stet no leilão.
Para Bezerra, ‘‘é ridículo’’ apregoar o impeachment de Fernando Henrique - como faz a oposição - por causa da suspeita de que ele teria agido indevidamente. ‘‘A preocupação do presidente foi a que houve houvesse equilíbrio na privatização’’, alegou. Fernando Bezerra teve o apoio dos líderes do PMDB, Jáder Barbalho (PA), do PFL, Hugo Napoleão (PI), do PSDB, Sérgio Machado (CE) e do PPB, Luiz Otávio.
No final da tarde, enquanto o ministro das Comunicações e principal coordenador político do governo, Pimenta da Veiga, dava entrevista, o PSDB divulgou uma nota rejeitando qualquer suspeita sobre a conduta do presidente Fernando Henrique no episódio. A nota, lida em plenário pelo senador Osmar Dias (PR), afirma que ‘‘a ação do presidente Fernando Henrique Cardoso é inquestionável’’. ‘‘Sua autoridade moral, conduta irretocável e zelo com que vem conduzindo o País são a maior garantia dos brasileiros de que o patrimônio público será sempre preservado’’.

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