O presidente Fernando Henrique Cardoso rejeitou ontem pedido da bancada do PMDB de Minas Gerais para renegociar a dívida do Estado e suspender os bloqueios de recursos. Levados pelo líder do partido, deputado Geddel Vieira Lima (BA), o encontro no Palácio da Alvorada reuniu os 14 parlamentares do PMDB mineiro, além dos vice-líderes do partido na Câmara. ‘‘A reunião não foi produtiva, já que a repactuação da dívida foi descartada pelo presidente’’, avaliou o deputado Zaire Rezende (PMDB-MG).
Durante o encontro de duas horas, o presidente reclamou do governador de Minas, Itamar Franco (PMDB). ‘‘Se eu quisesse, eu usaria os recursos de comunicação do governo para responder Itamar Franco’’, disse Fernando Henrique, irritado com a notícia de que o governador de Minas estaria organizando uma manifestação contra o próprio presidente no dia 21 de abril. ‘‘O Brasil não comporta mais essa demagogia e populismo irresponsáveis da época de João Goulart e Leonel Brizola.’’
Dizendo-se cansado das críticas, Fernando Henrique considerou o problema de Minas uma questão técnica e não política. ‘‘O que o presidente quer é uma negociação sem pré-condições’’, observou Geddel Vieira Lima.
Fernando Henrique demonstrou irritação quando o deputado Hélio Costa (PMDB-MG) questionou a habilidade do presidente em ter enviado para Minas Gerais o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga (PSDB), para ser o intermediador do governo federal.
O ministro tucano é um dos principais desafetos políticos de Itamar. ‘‘Não aceito nenhum comentário ou interferência aos meus ministros’’, disse Fernando Henrique, batendo com a mão na mesa. ‘‘Eu também não fico me interferindo na escolha do secretariado de Minas Gerais’’.
O presidente disse aos peemedebistas da importância do ajuste fiscal para conseguir os votos da bancada mineira na votação da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). Mas a reunião com Fernando Henrique não surtiu um efeito prático. Dos 14 deputados do PMDB de Minas, seis votaram contra o governo em solidariedade a Itamar. Além disso, a deputada Maria Lúcia Cardoso não votou.
Antes do encontro, houve um desentendimento de Geddel com Zaire Rezende. Inconformado com o reduzido número de parlamentares que estariam com o presidente, o deputado mineiro ligou para boa parte da bancada do PMDB ampliando o convite. Muitos deputados acabaram sendo barrados na porta do Alvorada. ‘‘O senhor foi deselegante e inconveniente’’, disse Geddel. ‘‘O líder do PMDB queria reduzir o fato político em favor de Itamar exclusivamente a Minas Gerais’’, rebateu Rezende.Arquivo FolhaGeddel Lima: ‘‘O presidente quer negociação sem pré-condições’’Agência Estado

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