São Bernardo do Campo - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sinalizou ontem que o governo está prestes a baixar a taxa básica de juros, atualmente em 26,5% ao ano. ''Passados cinco meses, há vários indícios de que a inflação está sob controle e sua tendência é cair para podermos reduzir a taxa de juros'', disse, em visita à fábrica da Ford de São Bernardo do Campo ABC (SP). O presidente foi além: ''Como diria meu lado musical, estamos afinando a orquestra e, logo, logo, o espetáculo do crescimento vai começar a acontecer no nosso querido País.''
As declarações de Lula foram uma reação às pressões que o Palácio do Planalto vem sofrendo. Nos últimos dois dias, as queixas contra o rumo das reformas constitucionais e da política econômica ultrapassaram o limite dos radicais petistas. A Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), associações de juízes e procuradores e até um grupo de 30 parlamentares do PT divulgaram documentos com críticas ao governo.
A contra-ofensiva do Planalto não contou apenas com a ação do presidente: os principais ministros também tiveram de ir à luta. O chefe da Casa Civil, José Dirceu, esteve ontem na Assembléia Legislativa de São Paulo e enfrentou a vaia de servidores ao defender a reforma da Previdência. Em Brasília, o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, convocou a imprensa para defender a reforma tributária e pedir calma aos que aguardam com ansiedade a retomada do crescimento.
Ao discursar de improviso na Ford para uma platéia de 3 mil, Lula mais uma vez recorreu a metáforas para explicar a situação do País. Segundo o presidente, governar é como cuidar de uma planta. ''Você pode estar com fome, mas, se plantou um pé de feijão, vai ter de esperar 90 dias. Se plantou soja, vai esperar 110 dias. Se plantou milho, vai esperar 18 meses'', disse. ''Não pensem que o Palocci e o Meirelles (Henrique Meirelles, presidente do Banco Central) não querem que os juros caiam. Tanto eles, quanto vocês vão dormir todo o santo dia imaginando o momento de reduzi-los.''
A pressão pela retomada do crescimento da economia e queda dos juros também esteve presente no evento da Ford, organizado para a doação por parte da empresa de 225 toneladas de alimentos para o programa Fome Zero.
O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), João Felício, presente no evento, defendeu a redução dos juros. ''Está na hora de mudar a política econômica, senão, teremos um segundo semestre muito difícil.''

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