Presidente quer taxar fortunas
Agência Estado
De Lima
O presidente Fernando Henrique Cardoso defendeu ontem, em Lima, a aprovação no Congresso da proposta de autoria dele que taxa as grandes fortunas, como alternativa à idéia do presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), de criar um imposto contra a pobreza.
Durante visita oficial ao Peru, ele alegou tratar-se da mesma coisa, tanto que, em outros países, o imposto sobre a riqueza é chamado de imposto de solidariedade.
Da minha parte, não há problema, afirmou. É só votar, acrescentou, ao deixar a sede do Congresso peruano, onde foi homenageado. No segundo dia de visita, Fernando Henrique e o presidente peruano, Alberto Fujimori, assinaram oito tratados de cooperação (veja matéria nesta página).
Para o presidente, a decisão final sobre o imposto sobre grandes fortunas caberá à maioria dos parlamentares no Congresso. Se eles apoiarem a emenda apresentada por ele há mais de dez anos ou o imposto de ACM, basta formalizar a medida, aprovando o que achar melhor. O governo depende de sua maioria, frisou. Se estiver de acordo, é só votar. O presidente lembrou que o Congresso pode ainda decidir adotar outro mecanismo, voltado para a renda, a fim de melhorar a vida dos pobres.
O presidente falou ontem, pela a primeira vez, sobre os efeitos da reforma ministerial que concluiu na semana passada - e pela qual se julga o único responsável. Segundo ele, as mudanças foram feitas no governo, dentro de critérios previstos no regime presidencialista, e não na aliança que o apóia no Congresso. Mas é claro que o presidente sempre olha para sua base política, como eu fiz, comentou. No sistema presidencialista, o presidente escolhe, convida as pessoas; não houve nenhuma mudança na base governista.
Na avaliação do presidente, mais importante que o relacionamento com a base aliada é o que as medidas que estão no Congresso representam para o País. Não são medidas de interesse meu, são de interesse da Nação, frisou. De modo que acho que o Congresso vai apoiar e nós temos de convencer a sociedade e os parlamentares da importância dessas medidas. Para FHC, a convicção vem da certeza de que o Brasil chegou a um ponto no qual as pessoas sabem que há um problema fiscal que pode comprometer as gerações futuras.





