Presidente quer que CMTU deixe de ser "fábrica de favor”
Fabrício Bianchi prega eficiência na aplicação de recursos, fala radares e outros outros serviços sob o guarda-chuva da companhia
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 31 de janeiro de 2025
Fabrício Bianchi prega eficiência na aplicação de recursos, fala radares e outros outros serviços sob o guarda-chuva da companhia
Matheus Camargo 

O novo diretor-presidente da CMTU (Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização), Fabrício Pires Bianchi, quer que a companhia seja eficiente e integrada com outras companhias da cidade. Em entrevista exclusiva à FOLHA, o administrador afirmou ter recebido a responsabilidade do prefeito Tiago Amaral (PSD) de montar uma equipe “técnica e eficiente”.
“A palavra de ordem é eficiência, no uso e na aplicação do recurso, para entregar valor nos serviços que a gente tem para a sociedade”, destacou Bianchi.
A CMTU passou por profundas mudanças na nova gestão. Foram trocados os diretores de trânsito, de transportes, administrativo e financeiro. Também foi criado um núcleo de comunicação específico para a companhia.
“A nossa proposta é que essa CMTU de fato seja protagonista do que ela faz. Assumir realmente um papel de protagonismo, um papel de ela ser preventiva, de ela ter uma programação clara dentro das diretorias que a gente tem, dos mais de 70 serviços que ela executa”, seguiu o diretor-presidente.
Radares
Fabrício Pires Bianchi foi questionado sobre temas centrais da cidade que estão sob o guarda-chuva da CMTU. Uma das pautas foi a situação dos radares, visto que o prefeito Tiago Amaral prometeu avaliar a situação dos equipamentos em Londrina. Atualmente, são 78 radares em funcionamento.
“Essa é uma pauta que pega muito, porque as pessoas colocam: ‘Ah, Londrina é uma fábrica de radar’. Tem um dilema na questão do radar, primeiro, ele tem um papel que pesa para as pessoas, que é quando você comete uma infração. Ninguém quer pagar multa, é óbvio. Mas, uma das maiores solicitações que a CMTU recebe por meio do cidadão é: ‘Dá pra você colocar na minha rua uma lombada e um radar? Mas ninguém quer passar por uma rua que tem lombada e radar. Mas na tua, você quer. Então, é um dilema”, admitiu.
Bianchi preferiu não revelar se haverá aumento ou diminuição dos radares. “O prefeito colocou o desafio durante a campanha dele, que eu verifiquei o plano de governo, um dos pontos era essa questão da oportunidade, se teria ou não, de redução dos radares Fechamos um estudo em que, frente à análise, um a um dos 78 radares, o que poderia ser feito no horizonte, a partir de 30 de maio, quando a licitação atual vence, quando entrar uma nova solução, nós precisamos de mais radares, menos radares, manter os mesmos? Já antecipo que, de certa maneira, a notícia vai ser interessante para todos”, disse.
“O que está por trás é uma análise com muita responsabilidade. Essa análise da diretoria de trânsito vai ser para realmente poder tomar uma decisão com o pé no chão, olhando dados concretos. O prefeito não quer ter um comportamento sensacionalista. Ele não quer pegar um 'alicatão' e sair cortando o radar.”
Capina e roçagem
Sob o comando de Fabrício Bianchi, a CMTU também pretende melhorar a gestão e assumir a capina e roçagem de áreas que hoje estão sob contrato de licitação com empresas privadas.
“É um desejo nosso que os contratos e recursos previstos em secretarias que têm para essa finalidade rescindam e a gente assuma. Porque, por exemplo, dentro de uma UBS (Unidade Básica de Saúde), ou dentro de uma escola, essas secretarias têm um contrato firmado com a empresa de roçagem”, indicou o diretor.
“Dentro das urgências, alguma coisa tem que ser priorizada. Mas se for pensar assim, tudo é urgente. Então, qual é a nossa programação de capina e roçagem? E aí, como é que eu coloco essa demanda que vem para hoje de uma localidade na zona norte? E se eu estou com uma equipe na zona leste? Eu tenho que tirar a equipe da zona leste para atender a zona norte por causa de uma rua. Eu não posso fazer isso na outra semana, desde que não seja uma urgência, fruto de uma tempestade, de um problema sério? Porque aí eu tenho um grupo aqui especial para atender essas questões pontuais, mas eu não posso deixar que a CMTU seja uma fábrica de favor. Então, o nosso desejo, frente ao que a Controladoria nos solicitou e a Secretaria de Gestão, a pedido do prefeito, é que apontem esses diversos contratos que existem e tudo aquilo que, por exemplo, for capina e roçagem, o recurso seja contratado da empresa pública.”
Orçamento e pessoal
O orçamento da CMTU para o ano será de quase R$ 200 milhões. A empresa atualmente conta com 242 funcionários, mas dezenas estão afastados por diversos motivos. Conforme o novo presidente, uma situação preocupante foi vista logo em sua chegada à CMTU.
“Houve um aumento salarial muito grande em funções gratificadas. Supervisor ganhava R$ 600, passou para R$ 1.200. Coordenador ganhava R$ 2.000, foi para R$ 3.000. Um gerente ganhava R$ 2.500 como função gratificada, foi para R$ 5.000. Como é que você acha que uma empresa se sustenta? E o pior, muitas vezes, a pessoa não é supervisora de nada, ela não está coordenando nada, ela não é gerente de ninguém. Então, acho que uma coisa é você querer criar um programa de reconhecimento, de carreira, de incremento salarial por entrega de resultado, isso é uma coisa. Agora, criar funções gratificadas para algo que não é coerente ao que, de fato, é feito, tem um erro aí de gestão de pessoas gravíssima nesta empresa”, explicou Bianchi.
Novos ônibus
Fabrício Bianchi também revelou que serão colocados nas ruas 92 novos ônibus este ano, sendo que 21 serão lançados já durante a próxima semana. Parte da nova frota será sustentável.
“Será junto ao programa da Compagás, que vai ter um centro de distribuição de biometano aqui. A gente busca ser uma cidade, de fato, sustentável. Na pauta da sustentabilidade não adianta eu falar, fazer bloquinhos com cada número, fazer fotos coloridas, falar da questão, e não fazer concretamente nada em busca da sustentabilidade.”
Questão animal
Uma mudança que ocorreu em 2024 e será um desafio para a nova gestão é a ida do bem-estar animal da Sema (Secretaria Municipal do Ambiente) para a CMTU. Segundo Fabrício Bianchi, a fase é de resolver uma questão legal do caso, isso porque a diretoria da Sema não foi destituída no ano passado
“Teve uma alteração por parte do conceito de administração. A Sema, que tinha uma diretoria para isso, deveria ter essa diretoria destituída, ela não está ocupada, mas deveria estar destituída. Não deveria existir mais dentro da configuração da Sema e ela existe. É prevista pelo conceito de administração na CMTU, mas ela não está devidamente constituída. É um desafio que a gente tem que parar e resolver até o próximo mês. Fevereiro é a data limite”, explicou ele, que pediu “sensibilidade” da Câmara de Vereadores com o assunto.
Questão do lixo
Londrina conta atualmente com dois aterros, um no Limoeiro (zona leste), com foco nos resíduos de construção civil, e outro no distrito de Maravilha (sul), que é para orgânicos e rejeitos, que tem vida útil até 2040. Bianchi destacou que uma preocupação da atual gestão são os Ecopontos da cidade.
“Um deles foi feito em cima de uma das únicas estruturas que o bairro, a região do Califórnia, tinha para diversão da comunidade, que era um campo de futebol. Como é que você bota um Ecoponto no único ativo de lazer? Sinceramente, ninguém consegue até agora me trazer uma explicação lógica para isso Ninguém pediu um ecoponto lá. Eu duvido. Vai ter que colocar o Ecoponto em algum lugar? Vai. Podemos expandir Ecopontos? Podemos. É importante. Mas também é importante que a população entenda o que é o Ecoponto. É uma estrutura que ele pode levar ao lixo dele lá, o resto de construção, madeira, num lugar que é pra isso, ele não paga até determinado volume. Vamos criar outras alternativas. São dois ecopontos na cidade, só.”
O Ecoponto do Jardim Califórnia recebe restos de construção, móveis e colchões. O outro Ecoponto fica no Vista Bela, que recebe todos os tipos de materiais, exceto gesso e amianto.
O descarte irregular nos fundos de vale também preocupa o novo presidente da CMTU. Ele deu destaque ao assunto e pediu contribuição da comunidade com relação aos locais.
“(Os fundos de vale formam) um desenho maravilhoso, parece uma rede sanguínea que funciona. Então, quando você fala assim: alagou, entupiu, cara, mas isso, para mim, talvez teria acontecido muito antes, porque com essa estrutura toda foi segurado demais. Agora, a cidade cresceu, muita construção foi feita e o sedimento rolou. Tem 51 pontos de fundo de vale que a gente viu que, infelizmente, tem descarte irregular. A gente vai, limpa, no outro dia, às vezes duas horas depois, tem gente lá jogando coisa. Então, assim, isso é muito triste, lógico, a pessoa às vezes não tem condição de levar, uma pessoa simples, pode ser, mas nós vamos ter que pensar numa forma, e só com o apoio da comunidade que a gente vai reverter isso, porque é enxugar gelo, não adianta”, afirmou.


