O presidente Fernando Henrique Cardoso espera a presença de todos os 27 governadores na reunião que fará ainda este mês para discutir a crise financeira dos Estados. Ele se disse preocupado com a situação de Minas Gerais, que decretou moratória, mas que não considera necessário dispensar tratamento distinto ao governador Itamar Franco (PMDB). ‘‘O canal nunca esteve obstruído para ninguém e o tempo todo tenho tentado evitar que o governador Itamar transforme o problema de Minas, que é administrativo e financeiro, num problema político’’, disse o presidente.
Fernando Henrique lembrou já ter conversado com a maioria dos governadores. Sobre o governador Itamar Franco, o presidente preferiu fazer um relato dos últimos contatos: ‘‘Telefonei ao Itamar depois da convenção do PMDB (março de 98), ele não me retornou; telefonei de novo depois das eleições e conversamos; ele me disse que ainda estava com muitas feridas abertas e eu respondi que também tenho minhas feridas, mas já passei unguento para cicatrizá-las.’’
Esta foi a última conversa entre os dois, em outubro. De lá prá cá, o presidente Fernando Henrique mandou recados pelos amigos de Itamar dizendo-se disposto ao diálogo, mas o governador mineiro não retornou. Fernando Henrique faz uma ressalva: ‘‘Não posso e não vou formalizar uma etiqueta errada, esta de governadores da oposição; temos todos de tratar o assunto de forma institucional’’. E acrescentou: ‘‘Querendo eles ou não eu sou o presidente da República eleito e, querendo eu ou não, eles são governadores eleitos pelo povo’’. Para o presidente, a negociação deve se dar no âmbito estritamente institucional e administrativo, não na esfera política. Enquanto aguarda estudos da equipe econômica, que está avaliando alternativas para desafogar os cofres estaduais, o presidente voltou a insistir que os governadores que falam em renegociação da dívida dos seus Estados estão tentando jogar a culpa política na União. ‘‘Eles batem na tecla equivocada, de que o problema dos Estados é a dívida e está errado tomar este como o problema dos Estados; desta forma estão querendo eternizar suas dívidas, que já estão roladas por 30 anos’’, disse, ressaltando que é preciso ficar claro que nova renegociação das dívidas significa custo maior para a população. O presidente insistiu ainda que o problema maior dos Estados é a falta de um ajuste interno.
Para a reunião dos governadores, cuja data será definida ainda esta semana, Fernando Henrique confirmou a disposição do governo em negociar outros pontos que afetam os Estados, como antecipou o ministro da Fazenda, Pedro Malan, na reunião com o grupo de oposição. Segundo ele, os outros pontos já citados, como revisão da Lei Kandir e do Fundo de Estabilização Fiscal (FEF), antecipação de recursos para as privatizações e a constituição do fundo previdenciário nos Estados, poderão ser negociados. ‘‘Há disposição e canal aberto para isso’’, frisou.Arquivo FolhaItamar Franco teria reclamado das ‘‘feridas abertas’’ ao presidenteDiana Fernandes
Agência Estado

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