Agência Estado
De Brasília
O presidente Fernando Henrique decidiu ontem manter no cargo o ministro da Defesa, Élcio Álvares, depois de o deixar durante semanas sendo ‘‘fritado’’. Um encontro reservado no Palácio da Alvorada, de cerca de uma hora, entre FHC e Álvares, reverteu o risco de saída imediata do ministro. A permanência de Álvares foi comunicada aos jornalistas pelo próprio ministro, que avisou que não pediu demissão, não está sendo ‘‘fritado’’ e a ida dele para a Defesa ‘‘não foi prêmio de consolação’’. ‘‘Eu encarei isso como uma missão que eu tenho com o País e é por isso que eu estou aqui’’, afirmou.
Somente por volta das 16 horas, FHC, indagado se confirmava Álvares no cargo, limitou-se a responder: ‘‘Eu nunca o desconfirmei’’. Em seguida, acrescentou que o despacho com o ministro foi ‘‘de rotina’’. O porta-voz do Planalto, ministro Georges LamaziSre, salientou que o presidente havia reiterado a disposição de manter Álvares por duas vezes.
‘‘Não é responsabilidade do Planalto o boato’’, afirmou LamaziSre, acrescentando que ‘‘o presidente falou anteontem pela manhã, claramente, falou ontem à tarde, novamente, e não há mais nada que ele possa fazer’’. Segundo o porta-voz, FHC ‘‘já exprimiu a posição dele duas vezes e o ministro já falou ontem e falou hoje (ontem)’’. Ele insistiu: ‘‘Mas o controle sobre boatos não cabe ao Palácio’’. ‘‘A posição do presidente está bastante clara e não há nenhuma novidade’’.
Álvares, depois de lembrar que é o primeiro ministro civil a comandar militares, atribuiu a ‘‘interesses outros, que todos deveriam investigar mais’’, a campanha pela saída dele do ministério.

mockup