O presidente Fernando Henrique Cardoso telefonou ontem pela manhã ao ministro da Justiça, Renan Calheiros, e cobrou mais agilidade na conclusão do inquérito da Polícia Federal (PF) que investiga a escuta telefônica no Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). Fernando Henrique ligou para o ministro depois de ler as denúncias no jornal Folha de S. Paulo.
No telefonema ao ministro, o presidente perguntou os motivos pelos quais o inquérito, instaurado em 1998, ainda não foi concluído. O ministro levantou as informações junto à PF e se reuniu no período da tarde com Fernando Henrique. O ministro disse ao presidente que o inquérito ‘‘atrasou’’ porque a PF demorou a receber as duas fitas da escuta telefônica no BNDES, referentes à primeira denúncia de privilégio a participantes do leilão.
Estas denúncias levaram à saída do governo do então ministro das Comunicações, Luiz Carlos Mendonça de Barros, e do presidente do BNDES, André Lara Rezende. A escuta telefônica teria sido feito em julho e a PF pegou as mãos nas fitas em 10 de novembro.
O ministro disse ainda ao presidente que o inquérito atrasou porque o Ministério Público (MP) no Rio pediu à Justiça a quebra de sigilos telefônicos de mais envolvidos, o que está tramitando em segredo de Justiça. O ministro prometeu a Fernando Henrique pedir à PF que acelere a conclusão do inquérito.
O presidente queria ouvir do ministro mais detalhes sobre as fitas divulgadas ontem pela Folha de S. Paulo. O ministro respondeu que a PF não tinha comprovação da existência destas novas fitas.

mockup