Presidente pede paciência para mudanças
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terça-feira, 11 de fevereiro de 2003
Evandro Spinelli e Fábio Zanini<br> Agência Folha 
Brasília Um dia após ter anunciado um corte de R$ 14,1 bilhões no Orçamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu ontem sua política econômica, dando a entender que, caso procedesse de maneira diversa, poderia levar o Brasil a ''afundar como o navio Titanic''.
A metáfora foi utilizada durante discurso fechado de cerca de 25 minutos de duração a aproximadamente cem prefeitos petistas reunidos em um hotel em Brasília. A exemplo do que fez na semana passada, quando se encontrou com presidentes de diretórios estaduais petistas, Lula apareceu de surpresa no encontro.
Ao fazer a defesa de uma mudança de rumo lenta e segura na política econômica, o presidente fez a comparação com o navio. ''O Brasil não é um fusquinha, que pode dar um cavalo-de-pau, é um transatlântico. Se a virada não for feita aos poucos, pode afundar. E nós não temos vocação para Titanic'', disse o presidente, de acordo com relato de participantes da reunião.
Esta não é a primeira vez que Lula cita o transatlântico britânico, que afundou na sua viagem inaugural, em 1912, no Atlântico Norte. Durante a campanha eleitoral do ano passado, em evento na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em São Paulo, ele comparou o então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) ao capitão do navio, dizendo que ele nada fazia quanto ao ''iceberg que se aproxima'' em referência à turbulência no mercado financeiro da época.
Em seu discurso, Lula pediu paciência a seus companheiros de partido. Afirmou que as medidas econômicas são ''necessárias'' e que o corte será compensado com a racionalização das despesas do governo. ''Na mão de petistas, R$ 1 vale R$ 2'', disse Lula. Ele disse também que compreendia o fato de todos estarem ansiosos com relação a seu governo, mas, novamente servindo-se de metáforas, fez a defesa do gradualismo.
Primeiro, ele afirmou que governar é como correr uma maratona, em que não se pode gastar todo o fôlego no início da prova. Depois, usou o exemplo de uma gravidez. ''Quando a Marisa (primeira-dama) ficou grávida, eu ficava com o ouvido colado na barriga dela, querendo que o nenê nascesse logo. Depois que nasce, a gente já quer que saia andando e falando. Mas tudo tem o seu tempo'', declarou. Dirigindo-se aos prefeitos, o presidente procurou demonstrar tranquilidade e passar segurança. ''Eu estou na maior missão da minha vida e sei que não posso errar'', declarou o presidente.
Lula foi precedido nos discursos pelo ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, e pelo presidente do PT, José Genoino. Dirceu, em fala de cerca de 40 minutos de duração, deu uma explicação mais demorada a respeito da necessidade dos cortes. O ministro frisou que a necessidade da economia é responsabilidade, na maior parte, de um erro de cálculo do governo anterior.


